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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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Capítulo 32 – Reflexos do Sangue
"Em meio ao caos da mente, até o silêncio se torna ensurdecedor."
O teto daquele quarto modesto tornara-se o único interlocutor de Hope durante as últimas horas. Deitada, imóvel, com os olhos cravados na pintura descascada, a jovem bruxa mantinha a mente inquieta, incapaz de ignorar as últimas revelações que assombravam seu espírito. As palavras que poderiam mudar o curso de sua existência ecoavam em sua mente como um feitiço irrompido — impossível de ser desfeito.
Um som discreto, quase tímido, reverberou pela madeira da porta. Hope ergueu-se parcialmente, apoiando o peso do corpo nos cotovelos. O visitante, diante do silêncio que ainda pairava no quarto, insistiu numa segunda batida, ligeiramente mais firme. A bruxa não precisou de clarividência para saber que não era Dean. O Winchester mais velho jamais perderia tempo com formalidades como bater antes de entrar.
— Entre. — concedeu ela, com a voz baixa, mas firme.
Assim que a porta se abriu, o vulto de Sam Winchester surgiu, acompanhado por um sorriso contido, porém genuíno. Hope retribuiu com um sorriso breve, um alívio silencioso pela visita inesperada.
— Bom dia, bruxinha. — saudou ele com leveza, aproximando-se do centro do quarto.
Hope ajeitou-se na cama e indicou com um gesto o lugar ao seu lado. Sam não hesitou; sentou-se à sua frente, deixando que os cabelos caíssem por instantes sobre os olhos antes de jogá-los para trás. A bruxa não pôde conter o gesto automático de morder o lábio inferior ao observá-lo — um pequeno deslize para si mesma ao reconhecer o charme natural que os irmãos Winchester herdaram em partes iguais.
— Não, não exatamente. — respondeu ele, capturando o olhar dela com sinceridade. — Só queria saber como você está... de verdade.
— Péssima, definitivamente. — admitiu Hope com honestidade, arrancando uma risada curta de Sam. — Mas vou ficar bem, eventualmente.
— Claro que vai. Você é, de longe, uma das pessoas mais fortes que já conhecemos... depois do Dean. — completou, desviando o olhar no final da frase.
— Ninguém jamais superará seu irmão nesse quesito. — replicou Hope, em tom suave, recebendo o olhar e o consentimento silencioso de Sam.
— Eu sei que tudo isso é difícil. Um irmão inesperado, uma mãe que você não reconhece... mas tente, aos poucos, se aproximar. Jack realmente te ama, Hope. Você deveria ver o brilho nos olhos dele quando te vê. — disse Sam, cauteloso, temendo ultrapassar um limite invisível.
Hope sorriu, suavizando a tensão.
— Eu vou me aproximar, Sam. Não se preocupe. Mas será no meu tempo. Preciso compreender todos esses sentimentos novos... toda essa bagunça que minha vida se tornou. — garantiu.