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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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Capítulo 45 — "Pecado e Propriedade"
"O amor verdadeiro não é gentil. Ele é possessivo, irracional e, às vezes, letal."
As luzes amareladas do poste daquela cidade esquecida na Louisiana lançavam sombras suaves sobre o capô reluzente do Impala enquanto o carro cortava as ruas como um sussurro no escuro. O motor roncava baixo, quase cúmplice, enquanto Dean Winchester procurava por um lugar onde pudessem passar a noite. Ao seu lado, Hope dormia. O rosto sereno dela era um paradoxo vivo — uma paz que não combinava com a criatura que existia por trás daqueles olhos azuis.
Ele admirava isso nela. Aquela calma temporária. Aquela farsa doce que a fazia parecer humana.
Encontraram um motel modesto, de fachada envelhecida. Dean estacionou, pegou as chaves do quarto e voltou ao carro. Seus braços a envolveram com naturalidade, como se já pertencessem a ela. Hope nem se moveu enquanto ele a carregava até o quarto e a deitava cuidadosamente na cama, cobrindo-a com um lençol fino.
Mais tarde, quando os olhos dela se abriram, tudo já estava calmo. O quarto pequeno era silencioso, quase aconchegante. Ela se virou e observou Dean dormindo. O homem ao seu lado era uma mistura de lobo e protetor, um caçador marcado pelas perdas, mas ainda disposto a defendê-la mesmo quando ela merecia ser temida.
Ela sorriu. Um sorriso pequeno, cínico. Ele era seu. A única constante em um mundo desfeito.
Dean a puxou para si instintivamente no sono, seu rosto afundado no pescoço dela, os lábios roçando a pele quente, e a respiração ritmada provocando arrepios involuntários.
Na manhã seguinte, o sol tingia o quarto com tons dourados. Dean já estava de pé. Preparava o café da manhã — um gesto raro, quase íntimo demais para alguém como ele. Mandou uma mensagem para Sam, como fazia sempre, avisando que estavam vivos e em movimento.
Quando menos esperava, braços delicados envolveram sua cintura por trás.
Ele sorriu. Girou no ato, pegando-a pela cintura e a levantando com facilidade, sentando-a na bancada. Hope usava uma camisa dele, as pernas nuas rodeando sua cintura. O cheiro dela era como gasolina e pecado — vicioso e viciante.
— Bom dia, ruiva. — murmurou rouco, beijando-lhe o pescoço.
— Bom dia, caçador. — ela sorriu, irônica. — Preparou o café... que adorável.
Ele riu. As mãos deslizaram pelas coxas dela.
— Seu sarcasmo é a melhor parte do café da manhã.
— Não sou o tipo que acompanha café... — ela mordeu o lábio, provocante — eu sou o tipo que queima a garganta quando engole errado.
Dean a beijou. Um beijo lento, possessivo, com gosto de aviso.
Mais tarde, Hope vagava pelas ruas da cidade com aquele andar felino que misturava mistério e ameaça. Havia um destino: uma loja antiga, fachada disfarçada para o mundo sobrenatural. Lá dentro, as pistas que buscava sobre o chamado Conselho dos Velhos a esperavam. Mas a resposta não viria fácil.