Capítulo 30

432 31 4
                                        

Capítulo 30 – Onde a Luz Cessa, o Medo Começa

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Capítulo 30 – Onde a Luz Cessa, o Medo Começa

"Meu cabelo bagunçava por causa do vento que batia contra minha pele. Meus braços estavam erguidos e, por um breve instante, senti uma felicidade sobrenatural. Meu coração e minha mente estavam leves, como se o peso do mundo tivesse se dissipado. E, pela primeira vez em muito tempo, eu não esperava que algo ruim acontecesse a qualquer momento."

A roda-gigante girava vagarosamente sob a luz dourada do pôr do sol. Lá do alto, tudo parecia pequeno. As dores, os medos, os fantasmas. Dean estava ao seu lado, o sorriso dele irradiando uma serenidade quase infantil. Era uma cena que Hope queria eternizar — ele com os olhos brilhando, o vento bagunçando seus cabelos, a alma livre por alguns minutos.

Ela se jogou no banco da roda-gigante com um riso solto, olhando a paisagem como se aquilo fosse um pedaço do paraíso. Dean se aproximou rindo, os olhos fixos nela, e sem aviso começou a fazer-lhe cócegas. Hope gargalhava alto, e o som das risadas de ambos se misturava ao ambiente leve daquele fim de tarde.

Quando o cansaço os alcançou, Dean se jogou ao lado dela, apoiando a cabeça em seu ombro. Ficaram ali, imóveis, apenas respirando, absorvendo cada segundo.

Minutos depois, já de volta ao chão, Dean foi buscar pipoca enquanto Hope se sentava em um dos bancos do parque, ainda sorrindo. Observava o homem que tanto significava para ela caminhando despreocupadamente, e sentia o peito aquecer.

Mas o momento foi interrompido.

— Está na hora de voltar para casa, Hope. — disse Castiel, aparecendo silencioso ao seu lado.

Ela se virou para ele, surpresa e incrédula.

— Porra, Castiel! — exclamou com raiva. — Eu não posso nem ao menos me divertir sem ter que me preocupar com o que me espera em casa?

— Você não pode fugir, Hope. — respondeu o anjo, impassível.

Antes que ela pudesse retrucar, Dean voltou, a expressão já endurecida. Entregou-lhe o saquinho de pipoca e o refrigerante, encarando Castiel como se o desafiasse.

— Ela não está fugindo, Castiel. — disse em tom firme. — Está apenas descansando. De todo o drama que você e o resto do universo trouxeram para a vida dela.

— Dean...

— Dean, uma ova. Você não se importa com o estado mental dela. Só se importa com o controle. Com o que ela representa. Hope ainda é uma pessoa, Castiel. Você esqueceu disso?

Castiel manteve-se em silêncio por um momento, os olhos pesados.

— Ela é filha de Lúcifer, Dean. Se não tiver uma base, uma família que a mantenha equilibrada, ela pode se tornar ele.

Hope estremeceu. As palavras cortaram fundo. Seus olhos se encheram de lágrimas. Ouvi-las em voz alta, de alguém que deveria protegê-la, doía mais do que qualquer ferida física.

— Então esse é o seu medo? — Dean disparou, indignado. — Que ela seja igual a ele? Castiel... se você convivesse com Hope da mesma forma que eu e Sam convivemos, saberia que ela está muito longe de ser como Lúcifer.

Hope apertou a mão de Dean, num gesto silencioso, pedindo para que ele não continuasse. Ele a olhou e entendeu.

— Conversamos depois, Castiel. — murmurou, sem esconder a irritação. — Vamos, Hope.

Ela se levantou. A mão de Dean continuava entrelaçada à sua. Durante o trajeto até o carro, ela tentou soltá-la, mas ele apenas apertou com mais força, como se dissesse que não iria soltá-la por nada.

Quando chegaram, Castiel fez menção de entrar no carro.

— Não. — disse Dean com firmeza. — Você não vem com a gente.

Hope o olhou, surpresa. Castiel, no entanto, não discutiu. Apenas assentiu e desapareceu.

— Por que fez isso? — perguntou ela, ainda chocada com a atitude.

Dean abriu a porta para ela e deu a volta, entrando no carro com tranquilidade.

— Porque eu sei que você ficaria desconfortável. E a última coisa que você precisa agora é mais pressão. Quero que a volta seja leve. — respondeu com um sorriso sereno.

Ela apenas assentiu, emocionada com o gesto. Antes que ele desse a partida, Hope se virou e deitou a cabeça sobre a perna dele. Dean congelou por um instante, mas logo relaxou e, com uma das mãos, começou a acariciar seu cabelo com cuidado. Ela fechou os olhos, permitindo-se aquele momento de paz.

O caminho de volta foi silencioso. Um silêncio confortável, carregado de afeto e compreensão mútua.

Mas ao chegarem ao Bunker, o peso da realidade voltou a se instalar sobre os ombros de Hope. A sensação de leveza desapareceu quase que instantaneamente, substituída pelo velho e conhecido temor.

Ela não estava pronta para aquele encontro. Nunca estaria.

Sua respiração se tornou mais curta, o coração acelerado. A ideia de olhar nos olhos de sua mãe biológica e de seu irmão gêmeo — Jack — a fazia estremecer por dentro. Não por raiva, mas por medo. Medo de não ser suficiente. Medo do que encontraria em seus próprios olhos.

Desde que descobrira quem realmente era, sentia-se em constante guerra interna. E, apesar de todo o seu poder, o medo sempre se escondia nas sombras do seu coração.

Dean percebeu. Ele sempre percebia. Estacionou o carro e segurou sua mão, obrigando-a a olhar para ele.

— Vai ficar tudo bem, Hope. Eu prometo. E eu não vou sair de perto, em momento algum. — disse com sinceridade.

Ela sorriu, ainda com os olhos marejados.

— Obrigada... eu não sei o que faria sem você, Dean.

Ele respondeu com um meio sorriso.

— Nem eu, Hope. Vamos?

Ela assentiu.

E juntos, ainda de mãos dadas, atravessaram os corredores do Bunker, prontos — ou quase — para o que os esperava atrás daquela porta.

O Pesadelo dos VoltursHistórias para pegar e não largar. Descubra agora