Capítulo 26

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Capítulo 26 – Entre Feridas Antigas e Laços Queimados

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Capítulo 26 – Entre Feridas Antigas e Laços Queimados

"Nove meses se passaram desde os últimos acontecimentos. Estou melhor, ao menos é o que digo a mim mesma. Os pesadelos tornaram-se mais espaçados, os surtos cessaram quase por completo. Mas o luto... esse continua. E talvez continue por toda a eternidade."

As manhãs tornaram-se mais silenciosas para Hope. A casa de Bobby, antes repleta de inquietações, agora era um abrigo de rotina. Não de paz. Mas de convivência com a dor.

Nove meses. Nove longos meses desde que perdeu Nikolas.

Ela já não gritava durante a noite. Já não quebrava lâmpadas ou rasgava colchões com as garras que nasciam em meio ao pânico. Mas ainda sentia. O luto não diminuía — ele apenas mudava de forma. Tornou-se silencioso. Intenso. Quase invisível. Mas sempre presente.

Sua conexão com os pais havia se tornado uma lembrança amarga. Não recebia mensagens, ligações ou sequer um sinal de preocupação. A única exceção vinha da alcateia: os lobos continuavam perguntando como ela estava, ainda que à distância. Já os Cullens... sumiram. E a ausência deles queimava mais que qualquer ferida física.

Eles a evitavam. A temiam.

Era irônico. A família que jurou estar com ela para sempre, agora se escondia como se ela fosse o monstro que os inimigos sempre disseram que seria.

"Eles jogaram fora cada lembrança. Cada dia bom. Cada noite difícil. Cada sacrifício."

Dean costumava dizer que agora eles — os Winchester — eram sua verdadeira família. E talvez fosse verdade. Dean não recuava. Nem Sam. Nem Bobby. Mesmo nos momentos mais sombrios, ficaram. Isso era amor. Isso era lealdade.

A caçada da vez envolvia lobisomens nas redondezas de Dakota do Norte. Encontrar o covil foi surpreendentemente fácil, e eliminar a ameaça, mais ainda. No banco de trás, Sam ajustava as armas com eficiência, enquanto Dean comemorava a vitória com o entusiasmo típico de quem prefere caçar a conversar sobre sentimentos.

Hope sorriu ao observá-lo, ainda que o sorriso não tocasse os olhos. Sam, como sempre, apenas revirou os olhos e riu.

O celular dela vibrou. A tela acendeu. Um nome familiar. E doloroso.

Edward.

O clima descontraído cessou.

Dean a encarou, atento. Hope atendeu.

— Alô? — sua voz saiu firme, fria.

Do outro lado, um suspiro aliviado.

— Hope, meu Deus... — Edward soava desesperado.

— O que você quer? — perguntou, sem esconder o desprezo.

— Precisamos da sua ajuda. Os Volturi descobriram... que Isabella e eu tivemos uma filha.

O Pesadelo dos VoltursHistórias para pegar e não largar. Descubra agora