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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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Capítulo 41 — O Que Restou de Nós
"Eles estavam juntos... juntos depois de meses separados. Mas ela não era mais a mesma, não agora. Hope era uma versão mais sombria de si mesma, com um humor mais ácido do que de costume. Dean já não a reconhecia por completo: os cabelos em ondas, os olhos ainda mais marcantes, o azul vibrando atrás da maquiagem escura e carregada. Ainda assim, para ele, Hope continuava sendo sua garota, seu brilho, sua paz — mesmo encobertos por sombras."
A luz suave da manhã filtrava-se pelas frestas das cortinas pesadas do quarto de motel à beira da estrada. O sol tímido, mas quente, invadia o ambiente aos poucos, banhando o espaço com um dourado pálido. O quarto era simples, paredes manchadas pelo tempo, mas naquele instante, não havia lugar mais significativo para Dean Winchester do que aquele.
Sobre o colchão gasto, os cabelos ruivos de Hope Morningstar se espalhavam como um manto de fogo pelo travesseiro. O corpo dela estava parcialmente descoberto, a pele pálida sob o tecido amassado do lençol. Dean tinha um braço firme envolto à cintura da garota, puxando-a instintivamente para si, como se mesmo dormindo temesse que ela desaparecesse de novo.
Havia um alívio silencioso no quarto. Alívio por tê-la ali, respirando, ao alcance dos sentidos. Mas também havia um peso — a constatação amarga de que, apesar da proximidade física, Hope já não era mais a mesma.
Dean despertou devagar, sentindo o cheiro doce e inebriante do cabelo dela. Abriu os olhos com dificuldade, o rosto colado aos fios que conhecia tão bem, mas que agora pareciam de outra pessoa. A textura era a mesma, mas o perfume parecia ter mudado; menos floral, mais intenso... quase provocante.
Ele respirou fundo, beijando de leve o ombro dela.
— Bom dia, minha ruiva — sussurrou, rouco de sono, os lábios roçando a pele dela.
Hope abriu os olhos devagar, encarando o teto por um instante, antes de virar-se lentamente para ele. Seus olhos azuis estavam mais vivos do que nunca, mas envoltos por uma escuridão que nenhuma maquiagem conseguia disfarçar. O sorriso que desenhou nos lábios era enviesado, carregado de sarcasmo e de um perigo velado.
— Está cedo para sentimentalismos, Dean — murmurou, a voz baixa e rouca. — Ainda são sete da manhã.
Dean soltou um riso fraco, mas o olhar se manteve preso ao dela, buscando traços da mulher que ele conheceu — que ele amava.
— Senti falta de acordar com você — confessou. — De sentir você assim, perto... viva.
Hope arqueou uma sobrancelha, esticando o corpo preguiçosamente, sem pudor, antes de se sentar na cama, os lençóis escorrendo por sua pele alva.
— Vivo... que conceito interessante — murmurou, apoiando os cotovelos nos joelhos. — Eu estou mais viva agora do que jamais estive, Dean. Só não sou quem você queria que eu fosse.