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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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Capítulo — Memórias Antigas, Confrontos Presentes
O céu estava cinzento sobre Forks, como se pressentisse a tensão que se acumulava no peito de Hope. Ela e Nikolas seguiam em silêncio até o carro, após a manhã turbulenta no hospital. A ruiva abriu a porta e acomodou-se no banco do motorista, enquanto o amigo se sentava ao lado dela. O motor ronronava em um compasso lento, mas constante, enquanto o silêncio preenchia o interior do veículo.
Hope respirava profundamente, como se tentasse encontrar firmeza dentro do próprio caos. Nikolas, atento aos detalhes como sempre fora, virou-se para ela.
— Desculpa. — disse em voz baixa. — Não queria causar problemas.
Seu olhar se fixou no rosto da ruiva. Tinha os mesmos traços de anos atrás, mas agora mais maduros, marcados por dores e batalhas que ele mal compreendia. Mesmo assim, era inevitável lembrar da infância, de quando se deitavam na grama da floresta que cercava suas casas e ele passava horas observando o perfil dela — o jeito que os olhos brilhavam ao encarar as estrelas, ou como ela franzia o nariz ao rir.
Hope notou o olhar e suspirou, esboçando um sorriso sereno.
— Não tem nada a ver com você, meu amor. — disse com carinho sincero. — Só... é muita coisa pra assimilar. Desde que descobri quem são meus pais biológicos, tudo tem sido um turbilhão. Sinto como se não tivesse mais chão.
Nikolas apenas assentiu, desviando o olhar para as árvores que passavam velozes pela janela do carro.
Minutos depois, Hope estacionou em frente à mansão dos Cullen. A arquitetura imponente e elegante erguia-se como um refúgio seguro em meio à floresta. Mas, para Nikolas, aquele lugar representava muito mais — e muito menos — do que aparentava.
Ele estreitou os olhos, encarando a fachada da casa com uma expressão carregada.
Hope percebeu a tensão e pousou a mão sobre o braço dele.
— Promete que não vai fazer nenhuma besteira? — pediu com firmeza. — Eu te contei tudo, Nik. Mas não quero confusão.
Ele respirou fundo, o maxilar tenso.
— Prometo. Não vou voar na cara do "pisca-pisca"... por você, ruivinha. — disse, com um sorriso torto.
Ela sorriu de volta, mas logo sua expressão se fechou novamente. Ambos saíram do carro e caminharam até a entrada da casa. A porta já estava aberta, como sempre — os Cullen não temiam ladrões comuns.
Subiram os degraus e, quando alcançaram a sala, Nikolas entrelaçou os dedos aos dela. Era um gesto protetor, mas também possessivo — e Hope percebeu.
Lá dentro, estavam todos reunidos. Rosalie foi a primeira a vê-los.
— Hope! — exclamou, correndo em direção à filha e a abraçando com força.