O fim do jantar foi um sonho, daqueles bons que você se lembra apenas das boas sensações, sem se recordar do que realmente era o sonho. Eu e Luís andamos pelo hotel, em direção aos nossos quartos, lado a lado, ele pediu para pagar toda a conta do restaurante e eu não me importei. Parados em frente as portas do elevador, enquanto esperávamos pelo mesmo, meu coração batia descompassado no peito e um sorriso brincalhão sustentava meus lábios. Olhei de rabo de olho para Luís, ele também sorria distraído, ele estava tão lindo. Num impulso, do qual eu não fiz questão de frear, passei meu braço pelo dele, abraçando-o assim, ele me olhou surpreso, mas seus olhos brilhavam. Encostei minha cabeça em seu ombro e ficamos assim esperando pelo elevador: abraçados e em silêncio, curtindo um momento único em nossas vidas.
Já dentro do elevador mantivemos praticamente a mesma posição, mas agora Luís segurava minha mão e a beijava delicadamente. Com aquele simples gesto eu me sentia adorada, e assim eu tive uma certeza: eu não precisava de sexo para ser feliz, eu precisava do Luís, e sim, eu estava disposta a mudar toda a minha vida por ele.
O elevador parou no meu andar, respirei profundamente, e pude ouvir o Luís fazer o mesmo, parecia uma espécie de preparação para um grande acontecimento. Andamos despreocupados até a porta do meu quarto, óbvio que essa despreocupação era só aparência, porque por dentro eu estava uma verdadeira avenida de carnaval. Paramos na porta, olhei firme para a madeira da porta decidindo o que ia fazer, o próximo passo seria decisivo para esse relacionamento. Respirei fundo e me voltei para Luís.
– Você quer entrar? – Perguntei, minha voz estava baixa e cheia de expectativa.
Luís olhou um tempo para a porta fechada, em seu rosto um misto de certeza, preocupação e alegria.
– Acredite em mim – ele disse, olhando em meus olhos. – Tudo que eu mais quero é entrar nesse quarto, mas acho que ainda não é o melhor momento. Estamos ambos bêbados e com as emoções a flor da pele, quando eu entrar no seu quarto, quero estar consciente de todas as minhas ações e quero me lembrar de todos os detalhes. E hoje, não é um bom dia.
Senti meu mundo dar um solavanco, estava decepcionada e ao mesmo tempo feliz por ele querer estar sóbrio para estar comigo. Olhei em seus olhos e assenti, eu podia me perder naquele olhar.
– O que acha de jantarmos amanhã? Tipo, um encontro de verdade – Luís convidou.
Eu sorri com o convite, mais um jantar com Luís.
– Eu adoraria – aceitei.
– Nos encontramos no saguão do hotel às dezenove horas, pode ser? – Ele perguntou, também havia um sorriso em seu rosto, mas não nos lábios, sim nos olhos.
– Sim, estarei lá – confirmei, e percebi minha voz manhosa, e não me senti nem um pouco constrangida por isso.
– Então até amanhã – Luís segurou meu rosto com uma de suas mãos e se aproximou, eu queria aquele beijo, me preparei, fechei meus olhos e esperei seus lábios sobre os meus, mas não aconteceu, os lábios dele chegaram até minha bochecha, num beijo terno e demorado. No fim ele sussurrou – Amanhã...
E se afastou, ele também tinha o olhar cheio de expectativa e desejo, mas se afastou. Ele estava certo, um beijo naquele momento levaria abaixo toda a nossa teoria de estarmos sóbrios quando realmente acontecesse. Foi melhor assim.
Foi uma noite difícil de passar. Minha cabeça fazia conjecturas do que se passaria no dia seguinte. Em determinado momento, eu tinha certeza de que o que ouvi de Luís naquele jantar não passava do efeito do álcool na minha cabeça, me levando a alucinar. Mas os olhos dele, ah os olhos, eu não podia fantasiar aqueles olhos olhando desejosos para mim, aquilo era muito mais real do que tudo na vida.
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Escolha de sucesso
Chick-LitBeatriz Saldanha não é a tipica mocinha dos romances de Hollywood. Talvez ela seja classificada como uma bela atriz porno. Mas a questão não é essa. Beatriz é uma mulher forte, destemida, determinada e que vai fazer grandes descobertas na sua vida...