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Para a supresa de ninguém, Juliette conseguiu o papel que tanto queria.

Foi anunciado pela internet a fim de economizar o tempo de todos. Tempo esse que estava se mostrando extremamente necessário. Sarah olhou em volta que tudo parecia caótico. Grupos iam e voltavam passando pelo palco e fileiras de cadeira carregando peças de cenários antigos que estavam atoladas no canto como entulho. A coxia e bastidores ainda pior, uma equipe com uma escada ajeitava a cortina, outros separavam instrumentos, alguns varriam o chão da zona que cortava o próximo cenário.  

Ouvindo espirros de alguns alérgicos, Sarah
passou entre alguns estudantes no bastidores procurando seu alvo. Pode notar um grupo discutindo o tom de verde de alguma coisa e passando por essa confusão desviando das pessoas, viu a caixa de ferramentas que procurava. Ou esperava que fosse a caixa de ferramentas e não mais uma coisa cenográfica por ali. Abriu esperançosa.

Era o que queria finalmente. Passou a mão na grande caixa verificando as chaves e parafusos quando algo chamou sua atenção.

-Vamos testar com um tom abaixo e naquela parte um tan tan -O professor ia dando instruções cantarolando. Um dedo no ar para gesticular o que ele queria que foi rapidamente entendido pelo garoto no piano. Talentoso. Mais um barulho para ajudar na energia caótica do lugar além das peças velhas sendo retiradas, briga sobre cor de cenário e um grupo começando a esboçar a coreografia na área entre a primeira fileira de cadeiras e o palco.

E como se ganhasse vida por si, caminhou se aproximando da saída para o palco. Sorriu leve por acertar na sua hipótese, Juliette estava no meio com mais algumas pessoas. Notou ela tomando fôlego e com um sinal para o pianista começou junto.

Sarah se debruçou no equipamento para acompanhar a cena. Era como se todos estivessem feito silêncio. Ou apenas como Sarah sentiu o momento. Juliette abriu a boca para cantar a mais melódica e suave frase que já ouviu. Parecia ser dona do palco, tranquila e vez ou outra gesticulava interpretando a musica. O roteiro enrolado em um tubo em uma mão, sorriu.

O final do trecho a trouxe de volta para a realidade. O caos da briga alguns passos atrás e a madeira batendo nas cadeiras do auditório estiveram ali o tempo inteiro.  Balançou a cabeça vendo que o professor rasgou elogios para a alteração. E Juliette ainda estava preocupada sobre essa peça, como pode?

Virou com alguém lhe tocando o ombro um pouco desconcertada por estar atrás da arara de fantasias, imediatamente largando um saco pesado sobre a caixa de ferramentas que segurava pelas laterais. Pulou de susto.

-Fios. Mandaram pegar pra você. -olhou para baixo onde o peso se multiplicou e, aproveitando o momento de confusão, o rapaz magro fugiu.

Fios.

Balançou a cabeça, pegou sua caixa e o saco.  Caminhando não para o auditório, Sarah encontrou sua escada. Uma escada estreita de metal que dava para uma plataforma suspensa pelo auditório. Abaixou seu peso na área reta da plataforma e respirou fundo encarando sua tarefa. Uma zona que devia estar parada há um bom tempo talvez.

Desviou seu olhar para onde tinha visão privilegiada do palco de cima e suspirou antes de virar para a caixa de controle e energizada e emendada. Tá bem então.

Sinceramente nessa altura começava a rever se não seria mais fácil só decorar umas falas.
Tomou coragem para desembaraçar os fios.

Algumas faíscas fizeram Sarah pular.

-Puta que- balançou a mão no ar como se o gesto acalmasse a irritação da dor. Inferno. Quis bater naquela porcaria de metal. Parece que tinha escolhido a única atividade extra que não tinha apoio naquela escola. O campo de futebol era enorme e tinha incentivo até para mascote. Rosnou.

IGNITE  | sarietteOnde histórias criam vida. Descubra agora