Sentir ou não?

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Maraisa point of view 

A semana passou correndo, quando eu percebi já estávamos na sexta-feira, até que foi tudo tranquilo, nada de tintas, nem paredes sujas e nem Marília, o que eu achei bem estranho, mas também não mandei nem uma mensagem. 

Terminei de me arrumar para ir trabalhar, hoje eu tiraria um tempo só  para mim, ando muito sobrecarregada esses últimos dias, e Marília está me deixando louca, um tempo para pensar seria bom. 

O dia estava sendo calmo, passei atividades, brincamos e depois eles foram tirar a soneca após o almoço. Agora estava na minha hora atividade, o único momento menos movimentado naquela escola, eu não costumo conversar com ninguém além trocar mensagens com Maiara e as vezes falar com Fernanda. 

Mas hoje foi diferente, e confesso que gostei disso. Havia acabado de me sentar em uma das mesas do refeitório quando meu celular vibrou no bolso da minha calça. Um sorrisinho bobo se formou no meu rosto quando vi o nome que brilhava na tela. 

- Oi Mara,  já almoçou?

Mensagem de Marília. 

- Oi Mari, acabei de me sentar para almoçar.

Respondi. 

- Ótimo! Não almoçe, estou indo te buscar. Você pode sair né? 

- Posso sim, mas não estou gostando desses convites surpresas e das aparições na minha casa de noite. 

- Eu sei que não, estou chegando me espere no portão :) 

Como ela pode ser tão ousada? Fica dias sem ao menos trocar uma mensagem comigo e depois aparece falando que vai me pegar para almoçar? Isso é moda ou eu estou velha? Até tentei mandar algumas mensagens dizendo que não teria chance alguma de eu sair para almoçar com ela em algum lugar público, mas parece que ela se rejeita a levar um fora, então eu tive que ir. 

Sai para fora e ela estava encostada na porta do carona mexendo em seu celular. E eu nem preciso dizer o quão linda essa mulher estava, vestia uma calça jeans preta bem justa, uma blusa social branca e scarpi da mesma cor. No seu rosto havia um óculos que aparentava ter bastante grau, preto e branco, e uma maquiagem bem leve. Seus cabelos loiros caíam sobre seus ombros feito cascatas. Ela iria me deixar louca, ou melhor, ja deixou. 

-  Pensei que levaria um bolo. 

Disse ela percebendo minha presença. 

- Estava quase. 

Falei com o tom mais provocador que conseguia.

- Vai ficar aí parada ou vai me beijar? 

Merda! Ela sabia como me deixar fora do normal. 

- Aqui? Sem chance alguma! 

- Então beleza, está esperando o que para entrar logo nesse carro? 

Falou com uma das sobrancelhas arqueada.

- Você desencostar da porta. 

Fui mais rápida. Confesso que me senti uma criança de 10 anos dando alguma patada na minha suposta "inimiga" do quinto ano. 

- Esta atacada hoje não é? 

Disse abrindo a porta do carro para mim. 

- Talvez. 

Ela deu um risinho e deu a volta para entrar no seu lado do carro. 

Quando olhei pela janela do carro eu pude ter certeza que meu coração parou por um segundo, eu tinha acabado de sair dali, o que Fernanda fazia no portão? Estava me seguindo? Ela nunca almoça fora, e se ela me ver no carro de Marília, essa mulher não poderia nem sonhar que estou tendo um caso com a mãe de um aluno, fofoqueira do jeito que é, a escola toda ficaria sabendo em menos de 5 minutos. 

Minha perna começou a tremer quando ela viu Marília e começou a falar alguma coisa inaudível de dentro do carro. As únicas coisas que se passavam na minha cabeça era o quão ferrada eu estaria se ela me visse aqui dentro. Por um momento tudo o que eu vivi em quase três meses se passou pela minha mente, e isso que estou fazendo pode ser um erro. 

Meu Deus!  Como eu permiti isso, que bobeira estou fazendo? Tá, tudo bem, a gente não escolhe por quem se apaixona, mas eu nunca fui de sentir nada por ninguém, e agora uma mulher bonita chega do nada e muda isso? Essa não sou eu, definitivamente, não sou eu. No momento eu só precisava ver que Fernanda tinha ido embora e depois saborear a boca de Marília, mas alguma coisa em mim falava que eu tinha que sair rápido daquele carro com o cheiro inconfundível daquela loira. 

Com um enorme suspiro de alívio vi Fernanda entrar de novo na escola, e então Marília voltando ao carro. 

- Que que cê tá fazendo ai no chão? 

Perguntou assim que entrou no carro. E então eu pude perceber que estava praticamente fora do banco procurando me esconder da minha companheira de trabalho. 

- Se Fernanda me ver aqui eu seria demitida. 

Ela soltou uma gargalhada alta já dentro do carro. 

- Sabia que existe insulfilm? E o meu carro tem isso? 

Ela me olhou com cara de quem estava adorando minha vergonha e meu desespero. 

- Tudo bem, eu vou sair daqui agora. 

Disse antes de abrir...ou melhor, tentar abrir a porta do carro. 

- Calma gata, nem almoçamos ainda. 

Falou ligando a máquina rapidamente e a arrancando dali. 

Fomos até um restaurante chique, típico de Marília, eu lutei para não entrar naquele lugar com pessoas chiques e cheias de dinheiro, mas é claro que ela conseguiu me convencer.

Estávamos olhando o cardápio em silêncio até eu resolver quebra-lo. 

- Por que você decidiu me obrigar a almoçar com você e não me mandou nem uma mensagem a semana toda? 

- Ah, estou muito ocupada com o trabalho e Léo anda muito exigente de mim esses últimos dias.

- Falando nele, como você acha que ele vai reagir se descobrir... hãm... sobre... nós?

Eu poderia jurar que minha voz saiu trêmula no "nós".

- Eu não sei, ele é muito imprevisivel, e bem ciumento quando quer, mas isso a gente resolve depois.

"A gente?" gostei disso.

- Teve pra quem puxar.

Disse cobrindo meu rosto com o cardápio novamente enquanto ela me olhava com um sorriso sacana.

O resto do almoço foi normal, conversamos, comemos e depois ela tentou me convencer a uma "rapidinha" no banheiro do restaurante ou até mesmo no seu carro. Mas eu senti que ainda tinha um pequeno fio de sanidade em mim, então apenas pagamos, ou melhor, ela pagou a conta e fomos embora.

Chegamos na escola e eu tomei todos os cuidados possíveis para que ninguém me visse saindo do carro de Marília, já que Fernanda parecia um urubu em volta de mim. 

Antes de sair do carro Marília me puxou e me beijou com aquela mesma sincronia e o gosto maravilhosamente doce de sempre, eu amo nossos beijos.

 Antes e sair vi algo que com certeza não deveria ter visto, e que causou um pequeno fogo de raiva dentro de mim, mas era raiva misturada com ódio, medo e tristeza. Ela não podia estar fazendo isso comigo, e se realmente estivesse fazendo ela iria ver quem realmente era Carla Maraisa. 

Ela estava deitada com sua cabeça sobre meu peito quando seu celular que estava no suporte de apoio para ver o GPS brilhou com uma mensagem escrita:

"Oi amor, você já está na empresa? Posso passar aí?"

Amor? Irônico, e eu feliz porque ela se referiu a eu e ela como a gente. Aonde você foi se meter Maraisa? 

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Eu sei, eu demorei, mas voltei! Espero que gostem, me perdoem por ele esta meio falho, to ficando sem criatividade. Comentem e não esqueçam da estrelinha, beijoos! 

Você e EuHistórias para pegar e não largar. Descubra agora