Capítulo 15-Psicóloga

170 11 0
                                        

{Michael}

Os últimos dias tem sido uma merda.

Eu sinto que vou enlouquecer com a idéia de Rochelle estar livre nos braços de outro homem, tenho sonhos perturbadores com ela e Lauren quase todos os dias, e aqui estou eu.

Deitado em uma cama, sei lá onde, tomando calmantes e remédios contra minha vontade todos os dias, e com uma psicóloga ridícula vindo me visitar todos os dias.

Eles não veem que isso não me deixa menos pirado, más estou fingindo que sim. Estou louco para saír daqui e torturar até a alma da minha amada.

Ás vezes até lembro dos meus últimos dias como Natan. Eu também estive em uma cama, tomando remédios, sendo vigiado e recebendo visitas de um velho psicólogo. Eu também queria muito poder torturar Lauren, por ela querer me fazer sofrer.

As vezes até alucinava que estava a torturando até que não sobrasse nada, e essa idéia me contagia até hoje. Más eu sei que se eu fizer isso, vai ser pior para mim.

Por que não importa quem ela seja hoje, eu não vivo sem que a alma e o corpo dela me pertençam. E como sempre digo, a morte é um presente para todos que entram no meu caminho.

Vejo a psicóloga Verônica passar pela porta.

-Bom dia Michael!- não sei como essa porca sempre está de bom humor, tendo que tratar loucos como eu todos os dias.

Ignoro ela-como sempre-e bufo. Ela parece não se importar, e abre as cortinas, me fazendo quase cegar pelo tempo que fiquei em um completo escuro.

-Como você está hoje?- ela pergunta vindo até mim, sorrindo.

-Entediado.- digo, revirando os olhos.

Ela se senta na cama, ao meu lado. Tento não manter contato visual.

Ela não era feia, más também não chegava aos pés de Rochelle.

Ela era dona de longos cabelos castanhos e sedosos, indo quase até a cintura. Tinha a pele escura, e seus lábios eram vermelhos como o sangue.

Chegava á ser bonito de imaginar a sua cabeça explodindo.

-Hmm..- ela parece pensar por alguns segundos.-Michael, já que passa tanto tempo aqui sem fazer nada, tem algo ou alguém em que você pensa.. Na maior parte do tempo?

A frase "não sou adivinha" definitivamente não combina com ela. Ás vezes é difícil fingir que estou me curando para ela.

-Tem.- respondo, aínda evitando olhar para ela.

-Talvez um amor?- ela pergunta, curiosa.

Levando uma sombrancelha, aínda encarando o chão.

-No que isso te ajuda?

-Michael, nem tudo o que você me conta vai me ajudar á te curar. Más se eu puder te conhecer melhor, talvez seja melhor para nós dois.

Ela diz, e coloca uma mão em meu ombro.

Fico desconfortável com o toque dela, más fico parado como uma pedra.

-Se você quiser se curar, seria melhor se fossemos amigos. De uma forma ou de outra, te conhecer vai apenas te beneficiar.

-Tudo bem.- digo, e respiro fundo.

Em minha outra vida, eu lembro de quando Lauren fugiu com Erick, e tentou me internar. Será que ela gostaria de mim nessa vida, se eu me curasse agora?

-Eu tenho sim um amor.

-Muito bem. Se não quiser, não precisa me contar quem é, más me conte.. Como era a relação de vocês?

Penso por alguns segundos, em silêncio.

-Ela é.. A garota mais bonita e apaixonante que já vi. Eu me apaixonei por ela desde a primeira vez que a vi, e nunca mais quis tirar os olhos dela, muito menos me concentrar em outra garota. Ela é única e especial.

Verônica escuta tudo com atenção, e parece anotar algo.

Suspiro, e continuo.

-Más ao mesmo tempo que a desejo mais que tudo, ao mesmo tempo que quero ver ela feliz, eu quero que o sorriso dela seja apenas para mim. A idéia de ver ela com outro garoto, seria como o fim do mundo para mim.

Fecho os punhos, com raiva, e continuo.

-Eu tenho vontade de Torturar ela até a última migalha, só em imaginar. Más eu também não vivo sem ela, então dou o meu melhor para tentar não pensar nisso.

-Então, não importa os sentimentos dela, desde que ela esteja com você?

-Isso.- respondo, sem culpa nenhuma.

Ficamos em silêncio por alguns minutos.

-Más, digo.. Não seria mais fácil se você se curasse? Se você fosse uma pessoa... Boa, talvez ela não veria problemas em te dar uma chance. Assim, vocês não teriam problemas em ficar juntos.

Ah.. É mesmo, ela não sabe disso tudo sobre almas gêmeas, e as consequências dessa história toda.

Finjo me interessar.

-Bom.. Sim.- digo, fazendo meu melhor para ela não perceber minha atuação.

-Então, o que acha de se esforçar para se curar, a partir de hoje?- ela pergunta, abrindo um sorriso.

-Sim.- respondo, abrindo meu sorriso falso.

-Muito bem. Começamos amanhã.- ela diz, e nos despedimos.

É óbvio que seria mais fácil se eu me curasse e fosse uma pessoa "normal".
Más assim, seria tudo tão.. Sem graça.
Mesmo que eu goste da idéia de ver Rochelle feliz ao meu lado, a idéia de vê-la implorando por mim... Me deixa sem palavras.

Lambo os lábios.

Eu não ligo se sou louco, se preciso de ajuda, se dessa forma for mais fácil.

Eu vou me tornar o anjo e o pior demônio da vida dela. Eu vou.

𝐏𝐫í𝐧𝐜𝐢𝐩𝐞 𝐕𝐞𝐫𝐦𝐞𝐥𝐡𝐨Onde histórias criam vida. Descubra agora