— Seguinte, a avaliação hoje vai ser só com alguns de vocês, vamos intercalando durante o decorrer das semanas. Vai subir um por vez, Sampa já tá com a lista aí, conforme voltar um, sobe o outro. Alguma dúvida? — expliquei enquanto segurava minha sombrinha pra fugir desse sol que tá fazendo hoje.
— Eu tenho — o BH levantou a mão — você vai pro sorteio lá da Copa do Brasil?
— A dúvida era sobre a avaliação — sorri — mas não BH, acho que não. Se eu for aviso os senhores.
— Primeiro a subir é o Gabriel — Sampa só pode tá de sacanagem, mas aí lembrei que quem fez a lista com a ordem foi eu e por um instante acho que esqueci que nós dois não estamos conversando e coloquei ele primeiro.
Os meninos todos querendo rir quando saiu o nome dele e eu só virei as costas e caminhei, sem olhar pra trás, sem falar mais nada.
— Vai me esperar não? — ele gritou correndo na minha direção.
— Não — respondi.
— Sacanagem tá maior sol hoje, divide essa coisa ai com seu infantil e mimado namorado — me deu um sorrisinho sarcástico.
— Eu realmente aluguei um condomínio na tua mente né — balancei a cabeça e sorri de canto — toma, pode usar. Vou no sol.
Sai correndo na frente dele sem nenhuma reação, esse doidao tá magoado pelo que eu disse e ele ainda não tá pronto pra conversar. Ficar junto é só pra gente brigar, vou permanecer na minha e jogar o jogo que a gente mais ama: o EDI — Ego y Deboche y Infantilidade.
Passei pegar uma água e enquanto andava no corredor alguém me puxou pra dentro da sala do roupeiro que fica quase na porta de saída. Antes que eu pudesse gritar tampou minha boca: Gabriel Barbosa.
Nos encaramos sem dizer uma palavra, apenas trocando olhares, olhares intensos que falam tudo o que nossas bocas queriam dizer: eu te amo, tô com saudade, me desculpa.
Nossa respiração desregulada, eu estava tão perto que sentia seu peito subir e descer no ritmo em que respirava, seu coração acelerado junto com o meu formava um ritmo tão lindo quanto da organizada do Flamengo em dia de clássico.
Mas ainda tem algo entre a gente: o orgulho. Nenhum de nós quer ceder, estamos aqui já a alguns minutos só nos encarando, ele acariciando minha bochecha com o polegar e segurando minha cintura forte naquele estilo de você é minha!
E nessa competição de quem cede primeiro, eu juntei nossos lábios em um beijo quente. Aqueles beijos de tirar o fôlego, com uma mistura de saudade e estou chateada, com nossas línguas brigando por espaço, meu corpo arrepiado e as borboletas fazendo uma intensa dança no meu estômago.
Interrompi e o encarei, sua reação ainda me dizia que ele não tá pronto pra me ouvir. Tirei sua mão da minha cintura, me ajeitei e sai. Ele não vai ceder e eu muito menos, quero que ele veja o quanto é ruim agir como um adolescente e vou fazer ele jogar o meu jogo até ser maduro o suficiente pra saber sentar e resolver os problemas.
Passei na minha sala pra dar uma respirada, pensar no que eu tô fazendo da minha vida. Tenho medo que nessa ele desista de mim mas algo bem lá no fundo me diz que não e que eu estou no caminho certo.
— Confiar no seu sexto sentido Julia? Ou ir atrás dele? — pensei alto.
Fui pra academia, Tannure tá com um milhão de equipamentos ligados a ele e o queridão correndo na esteira:
— Calma, segura esse coração aí — Tannure disse assim que cheguei e meu olhar se encontrou com o do Gabriel e o aparelho começou a apitar indicando alteração ma sua frequência cardíaca... eu sorri, é claro que eu sorri, o coração do camisa 10 totalmente descompassado por mim, e se eu infarto esse homem?
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Minha Cura | Gabriel Barbosa
FanfictionJulia acaba de sair de um relacionamento complicado e tudo o que mais quer é curtir a vida até conhecer Gabriel, que chegou cheio de si curando todos seus traumas. Sejam bem vindos a Minha Cura ❤️
