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🚨Atenção: esse capítulo aborda temas que podem conter gatilhos e gerar crises, não continue a leitura se não se sentir confortável 🚨

— Ju mas e se eu só tirar uma dúvida com o Everton amor? É só uma coisinha — disse o fofoqueiro do meu namorado.

— Gabriel, a gente já falou sobre isso. Eu vou ter que ameaçar sair de casa pra tu segurar a língua? A gente vai no médico Bi ele tira suas dúvidas.

— Ah Ju — estalou a língua no céu da boca — por favor amor.

— Nossa que garoto chato em, o Everton é fofoqueiro Gabriel, engraçado que pro Pedro ninguém quer falar nada né — revirei os olhos.

— Ah mas ele é crente. Nunca foi pai. O Everton já é da vida né, tem estrada, dois filhos...

— Amor, olha aqui rapidão. Eu tô no comecinho da gestação, é perigoso ainda, tudo muito arriscado tá? Segura mais um porquinho.

— Eu tô tão feliz ju, a gente vai ter um menininho — sorriu e seus olhinhos brilharam, não existe sensação melhor do que essa.

— Você acha? — sorri.

— Certeza, pra eu poder vestir ele com roupinha do Flamengo, meião, chuteira...

— Aí Bi — meus olhos encheram de lágrimas — o resultado aqui do exame de sangue acabou de chegar. Oficialmente grávida.

Ele estendeu sua mão até a minha barriga e passou o restante do caminho todo assim. Ele embarca hoje pro jogo contra o Bahia e eu vou me ausentar, ficar em casa e processar tudo o que tá acontecendo. Os meninos do DM estão por conta da fisio, Gerson já voltou a treinar normalmente com o restante da equipe e deve retornar pro clássico.

Domingo é dia das mães e eu queria contar pra tia e o tio sobre o bebê. Organizei um almoço lindo pra gente, peguei um chef pra poder fazer nosso almoço, já escolhi as louças; estou animada e nervosa.

Vou aproveitar também pra comemorar meu aniversário que é logo na segunda (15); tenho um jantar marcado na quarta (16) na folga dos meninos — eles não sabem ainda que vão poder respirar depois do clássico — mas convidei quase todos pra poder comemorar comigo, cantar parabéns e toda aquela chatice.

Fazer o que eu mais amo, receber as pessoas em casa.

[...] Tive uma conversa por auto com a obstetra que me orientou pra que não passasse raiva, nem muito nervoso e não ficasse muito agitada, agora me expliquem como?

O flamenguista não tem paz! Em nenhum jogo sequer a gente fica tranquilo e ela jura que logo nesse a gente vai ficar? Cada coisa.

Subi tomar banho antes do jogo. Rose tá por aqui me fazendo companhia mas nem desconfia de nada. Tá capotada lá no sofá da sala.

Desci meu shorts e tem uma mancha esquisita na calcinha, mas pelo que eu já vi isso pode ser normal no início da gestação. Tomei meu banho como de costume e quando olho pro chão, sangue.

Um frio, um medo toma conta de todo o meu corpo. Não pode ser.

Liguei pra obstetra que me pediu pra que fosse o quanto antes pro hospital pra que ela pudesse me imaginar.

— Rose — gritei ela com a voz embargada enquanto saia do banho — Roseeeee.

— Oi Ju — respondeu subindo as escadas e pra minha sorte ela tem sono leve.

— Rose, pega a minha bolsa, eu vou vestir uma roupa e vamos no hospital. Sem muitas perguntas agora ok?

— Tá tudo bem Julia? Quer que eu chame alguém? — ela se aproximou vendo meu desespero tomar conta do meu corpo aos poucos.

Minha Cura | Gabriel Barbosa Histórias para pegar e não largar. Descubra agora