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Hoje é dia de entregar oficialmente meu atestado de dispensa/licença à maternidade. Não sei se estou bem fazendo isso, tô chorando desde ontem quando a obstetra me entregou esse papel fora que parece que todos ao meu redor estão me escondendo alguma coisa.

Ainda preciso ver um vestido pro casamento da Camila e do Arrasca, fora do país pra variar. A Liz tá crescendo rápido, o parto está previsto para fevereiro, ainda não sei o que fazer quando a minha roupa já que eu junto das outras esposas do Fla seremos madrinhas. Com certeza é mais uma crise de choro dentro de alguma loja.

Tia Rose disse que é maluquice da minha cabeça e eu estou começando a acreditar nisso.

Amanhã vou fazer umas fotos na casa nova, preciso passar pegar o vestido, Gabriel insistiu tanto pra escolher e eu acabei cedendo e fiquei até surpresa com a ótima escolha que ele fez, certeza que tem dedo da tia Linda por trás.

Estacionei na vaga de gestante que fica na porta de entrada do CT, nem acredito que to podendo finalmente usar ela, os dias de glória da gravidinha de pés inchados chegaram.

Cumprimentei todos conforme passava pelos setores, pelo horário os meninos devem estar lá embaixo no gramado. Dei uma passadinha na minha sala que continua do jeitinho que eu deixei, com exceção de alguns presentinhos que deixaram aqui no decorrer dos dias e o Gabi esqueceu de levar.

– Bom dia Brás – Bati na porta da sala da diretoria.

– Ju, entra. Que saudade te ver por aqui – Se levantou e andou na minha direção, todo contente me dando um abraço de lado – Como vocês estão?

– Olha, estamos bem na medida do possível, muitos chutinhos na costela da mamãe, ansiosa – Sorri.

– Vem, senta aqui – Puxou a cadeira e colocou uma almofada pra que ficasse mais confortável – O que te trás aqui, vai voltar? Diz que sim, esse lugar não é o mesmo sem você.

– Vim te trazer minha dispensa médica, que termina depois do nascimento da Liz – Meus olhos se encheram de lágrimas – Pega logo e guarda, tô chorando desde ontem.

– Vai visitar a gente às vezes né, os meninos precisam de alguém gritando no ouvido deles de vez em quando.

– Sempre que puder vou dar uma passada por aqui Brás, meu coração tá partido de ter que sair assim.

– Vai ser bom, essa é uma fase que não volta mais. Aproveita pra descansar, dormir enquanto pode. Depois que a Liz nascer, o sossego só volta quando ela tiver os seus cinco anos.

– Todo mundo me fala a mesma coisa. Ando tão ansiosa pro nascimento dela.

– Eu imagino mesmo Ju, já já ela por aqui andando nesses corredores no colo do Gabi.

– Mais ansioso que eu, só ele – Sorri de canto.

– Antes de você sair, queria te pedir uma coisa, se você puder me ajudar vou ficar agradecido.

– Manda aí, se tiver no meu alcance, sabe que ajudo – Esses pedidos dele geralmente são bombas prestes a estourar e espero que esse não seja mais uma.

– Preciso de alguém para chefiar nosso departamento de Marketing e Comunicação, sabe de alguém? Eu tô com mil currículos aqui mas não acho ninguém com o perfil sabe – Me explicou coçando a nuca, nervoso eu diria.

– Olha eu tenho uma amiga, não nos falamos a um tempo, mas posso ver com ela se tem interesse. Já avisando que ela é sensacional no que faz – Tirei meu celular da bolsa e procurei o instagram dela pra mostrar a ele – Aqui, Maria Luisa.

– Ela não trabalha lá no Real? Já vi ela.

– Trabalha, eu que indiquei inclusive. Se quiser posso entrar em contato e avisando de cara, precisa cobrir o que ela tem por lá.

Minha Cura | Gabriel Barbosa Histórias para pegar e não largar. Descubra agora