CAPÍTULO 6

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— Só hoje e amanhã. — peço quase implorando para não treinar hoje.

— Os inimigos não vão querer saber se você está se sentindo bem ou não, então...

— Já tentou lutar depois da circuncisão?

— Você fez circuncisão?

— Quase isso. — respondo. — pode ir vadiar, treinar alguma coisa mas hoje não conta comigo. 'Tá? — abro um sorriso para ele.

Avanço até ele e beijo seu rosto, sinto ele sorrir e então me afasto.

— Você é o melhor.

Me afasto e volto a entrar em casa, meus pais não estão, só me resta entrar no meu quarto e me afogar em doces.

São nessas horas e nessas fases que parece que a ficha cai de que estou sozinha, em meus dias normais eu não ligo em estar sozinha, mas quando os hormônios estão a flor da pele... até agarrada ao travesseiro eu durmo.

E dessa vez não foi diferente.

— Bom dia, pai. — cumprimento o senhor que está com roupas do pijama no meio da casa.

— Oi filha, dormiu bem?

— Sim, mas aposto que o curto espaço do sofá não é o suficiente para o senhor dormir bem. — Ele me olha confuso. — Estou certa?

— Não foi culpa minha.

— Nunca. — dou um beijo em seu rosto. — avisa a mamãe que fui mais cedo a escola.

— Não irá comer?

— Estou sem fome.

Saio de casa meu motorista estava acabando de limpar o carro e quando me viu me cumprimentou, acenei com a cabeça e ele voltou ao seu trabalho. Minutos depois ele já havia terminado e já estávamos a caminho da escola.

Havia poucos alunos lá, então fiquei andando atrás feito uma idiota e como sempre recebendo olhares e cochichos enquanto passo, não sei se devo levar isso a bem ou a mal.

— E aí garota. — ouço alguém me chamar. Viro meu corpo e dou de cara com um dos garotos daquele grupo. — James mandou entregar isso apra você.

O garoto ergue uma sacola de papelão cinzenta e tinha um lanço branco agrafado.

— Desculpa, não posso aceitar.

— Ele já sabia que você diria isso e pediu para eu insistir.

— Porque não veio ele mesmo?

— Ele não vem hoje.

— Hm... deixa para você e diz q ficou para mim.

— Ele vai descobrir.

— Só se você falar... Minta.

— Eu não sei mentir, deixa de cu doce e aceita isso. — ele ergue para mim eu não a seguro e então ele larga antes que a mesma caísse no chão eu apanho.

O garoto foi embora, pelos vistos esgotei sua paciência. Queria muito não abrir mas a minha curiosidade falou mais alto.

Abro a sacola e dentro dela tem confetes  vasculho mais um pouco, embaixo deles havia doces diferenciados e uma carta.

Só coma e não diga nada, emburradinha.
- James


Mordi meus lábios e andei com a sacola até meu armário, antes retirei um
kitkat e comecei a comê-lo enquanto andava.

James.

Suposto Coração De GeloOnde histórias criam vida. Descubra agora