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Alicie

Meu pai me olha com tanto ódio que eu já penso em me auto deserdar.

Será que meu tio me adota?

— Alicie Louse.

— Ha, ainda bem que eu mudei de nome a pouco tempo...

— Eu vou deserdar você — Ele resmunga, sem sair do lugar onde estava. — E vou matar esse pato.

— Primeira vez que eu concordo com algo que você diz — Dylan aparece atrás de mim.

Miguel estava parecendo uma criança assustada ao meu lado, os braços cruzados e o olhar que lançava era de dó.

— Eu posso explicar — Começo a rir de nervosismo.

Isso não é hora de rir Alicie!

— Pois acho melhor começar.

Bom, o que eu posso dizer?

Talvez o animal encapetado que eu chamo de pato tenha estragado um relógio Rolex e ter destruído parte dos ternos do meu pai.

Resumidamente, acho que irei entrar no mundo da agiotagem.

— Ele é só uma criança, okay? — Defendo o meu filho, pegando o animal no colo.

Dobby se escondeu no meu ombro, como se soubesse que tinha feito coisa errada.

Pato sem vergonha.

— O que esse projeto de capeta fez agora? — Meu tio empurra Miguel e Dylan pra entrar no quarto de Edward. — Isso é um relógio?

— Não, uma nave espacial — Meu pai resmunga, se agachando na direção no aparelho e pegando algumas das peças que se soltaram da brincadeira do meu filho. — A sorte sua é que tem concerto, agora compre uma gaiola pra esse bicho!

— Não vou deixar o coitado em uma gaiola pai! Olhe para ele — Mosto o rostinho do pato.

— Então tranque ele em um quarto — Meu pai dá de ombros. — Só deixe-o longe do meu quarto e todos os outros cômodos! — Ele sai do quarto deixando todos sozinhos.

— Você só me põe em furada né? — Resmungo para o animal em meus braços.

— E eu vou descontar isso na sua mesada! — Meu pai grita do lado de fora.

— Ah, qual é!

— Eu disse que era pra fazermos um magret grelhado delicioso — Dylan comenta em quanto todos os bestões me seguem.

— Pegue o carro — Aponto para o meu tio. — E seu cartão.

— Por que sempre sobra pra mim?! — Meu tio desce as escadas resmungando palavras estranhas.

— O que planeja? — Meu irmão ergue a sobrancelha quando abro a porta do quarto. — Cuide dele! — Dou Dobby para o colo de Miguel, que quase da um pulo de susto.

— Por que eu? — O garoto me olha em desespero.

— Por que ele também é seu filho! — Antes que continue a discussão, fecho a porta na cara dos dois e corro na direção do banheiro.

𝑅𝐸𝑊𝑅𝐼𝑇𝐸 𝑇𝐻𝐸 𝑆𝑇𝐴𝑅𝑆 - 𝑀𝑖𝑔𝑢𝑒𝑙 𝐶𝑎𝑧𝑎𝑟𝑒𝑧 𝑀𝑜𝑟𝑎Onde histórias criam vida. Descubra agora