68

268 20 1
                                        



Alicie

Eu não consigo me mexer. Sério. Meus pés estão grudados no chão de madeira como se tivessem decidido que este era o momento de pararem de funcionar. Meus olhos estão arregalados, minha boca entreaberta, e meu cérebro? Está tentando desesperadamente processar tudo que acabou de acontecer nos últimos — o quê? — trinta segundos?

Miguel está parado na minha frente, sendo cem por cento sincero. Vulnerável. Completamente entregue.

Meu coração bate tão forte que tenho certeza que ele consegue ouvir. As palavras ainda não saem, mas tudo dentro de mim grita sim, sim, mil vezes sim! Só que a minha boca... essa traidora... trava.

Olho para os anéis. São lindos. Um deles é um solitário pequeno, delicado, brilhando com o reflexo suave das velas e da lua. E o outro? Um anel liso, prateado, com um detalhe discreto no centro. É a nossa cara. Nada exagerado, mas cheio de intenção.

— Alicie...? — ele pergunta mais uma vez, agora com a voz quase num sussurro.

Eu respiro fundo. E é como se o ar liberasse alguma coisa dentro de mim.

— Você é maluco — começo, minha voz falha no início. — Completamente maluco.

Ele solta uma risadinha nervosa, como quem não sabe se isso é um bom ou péssimo sinal.

— Quem faz esse tipo de coisa, Miguel?! Quem arrasta a pessoa pra uma cabana no meio do nada, planta pistas e recordações dos encontros mais aleatórios — e especiais — da nossa história, me deixa confusa, emocionada e agora faz uma declaração dessas? Com anel e tudo?

Dou um passo à frente. Meu corpo finalmente decide colaborar.

— Você. Claro que é você.

Ele segura a caixinha com um pouco mais de força, como se tivesse medo que eu sumisse.

— Eu sou maluco por você, Alicie. Não é óbvio?

— É. — Me aproximo mais um pouco. — E eu? Sou maluca o suficiente pra dizer que sim.

Os olhos dele se arregalam um pouco, antes de abrirem aquele sorriso largo, o mais bonito de todos. O sorriso que ele só dá quando está genuinamente feliz. O sorriso que fez meu estômago dar voltas na primeira vez que vi.

— Sim? — ele confirma, ainda com os olhos brilhando.

— Sim, Miguel. Eu aceito ser sua namorada, seu problema, sua garota, sua "gatita". — Faço aspas com os dedos e sorrio. — Aceito tudo.

Ele dá um passo rápido e me puxa pra um abraço apertado, tão forte que quase me tira do chão. Eu rio, enterrando o rosto no moletom dele, que tem cheiro de amaciante e perfume. Meu coração finalmente se acalma no peito, agora batendo em sintonia com o dele.

— Tava achando que você ia fugir — ele murmura contra meu cabelo.

— Confesso que considerei correr floresta adentro. Mas, né... meu pato tava na sala. Não podia abandonar o Dobby.

Ele ri, aquele riso gostoso que vibra no peito. Então, se afasta só o suficiente pra abrir a caixinha e pegar o anel menor.

— Posso? — pergunta, levantando minha mão com cuidado.

Assinto, sentindo os olhos marejarem de novo.

Ele desliza o anel no meu dedo como se estivesse fazendo algo sagrado. E talvez esteja mesmo.

Depois, pega o outro anel e coloca no próprio dedo.

— Pronto. Agora somos oficialmente um casal cafona de anel combinando.

𝑅𝐸𝑊𝑅𝐼𝑇𝐸 𝑇𝐻𝐸 𝑆𝑇𝐴𝑅𝑆 - 𝑀𝑖𝑔𝑢𝑒𝑙 𝐶𝑎𝑧𝑎𝑟𝑒𝑧 𝑀𝑜𝑟𝑎Onde histórias criam vida. Descubra agora