Alicie
A água do Mediterrâneo parecia líquida de tão azul. Estávamos no deck do iate, a brisa salgada bagunçando meus cabelos e o som de risadas vindo da cabine principal. Mas aqui fora, só existia ele. Miguel. Deitado ao meu lado, camisa aberta, olhos fechados sob os óculos escuros e aquele sorrisinho preguiçoso de quem sabe que venceu.
A gente tinha prometido essa viagem ainda na faculdade. "Quando a gente se formar, vamos conhecer o mundo." Não sabíamos como. Nem quando. Mas sabíamos que seria juntos.
E fomos.
Cinco países. Doze cidades. Um iate no verão italiano.
Ele virou o rosto, abrindo um olho.
— Você tá olhando pra mim com cara de poesia — disse com a voz rouca. — Perigoso.
— Não consigo evitar. Você de terno já é bonito. Mas você de férias? Perdição.
Ele riu, se virou de lado e apoiou o cotovelo na espreguiçadeira.
— Acha mesmo que eu ia deixar o amor da minha vida viajar sozinha pelo mundo?
— Você me seguiria até o fim do mapa, né?
— Não preciso te seguir. Eu sou o mapa — ele piscou.
Eu revirei os olhos, rindo. Mas era verdade. Em tudo que importava, Miguel era o meu norte.
Voltamos a nos deitar em silêncio, só ouvindo o mar e o motor suave da embarcação. O sol aquecia minha pele, o champanhe estava gelado e o mundo parecia, pela primeira vez em muito tempo, calmo.
— A gente podia ficar aqui pra sempre — falei.
— Podemos. Ou até onde der — ele respondeu, deslizando os dedos entre os meus. — Só me promete uma coisa.
— O quê?
— Que, seja em Paris, na Grécia ou na padaria da esquina, você nunca vai parar de me olhar assim.
Me inclinei e beijei ele devagar. O tipo de beijo que não precisa de palavras, nem de promessas. Já estava tudo ali.
Na respiração entrelaçada.
Na risada abafada.
No amor que atravessou o tempo, os traumas e agora... viajava com a gente.
— Te amo, Miguel.
— E eu. Desde sempre. Até depois do fim.
E então o iate seguiu, cortando o azul do mar como a gente cortou a vida: juntos, ousados e apaixonados.
— Como você consegue fazer isso, hein? — perguntei, com um sorriso nos lábios.
— O quê? — ele respondeu, brincando com o cabelo, inclinando-se ligeiramente para me olhar.
— Olhar pra mim como se não tivesse mais nada no mundo além de mim. — Olhei fundo nos seus olhos, aqueles mesmos olhos que sempre me fizeram me sentir segura, amada e completa. — E ainda brilhar assim.
Miguel sorriu de volta, a expressão dele tão cheia de amor, e com um suspiro profundo, ele disse:
— Eu nunca vou cansar de olhar pra você desse jeito, sabia? Desde o primeiro dia, você foi o único lugar onde eu encontrei paz, apesar de nosso primeiro encontro ter sido o total oposto, Alicie. E eu nunca mais vou precisar procurar em outro lugar.
Eu não sabia o que responder. O que poderia responder a algo tão simples, mas ao mesmo tempo tão profundo e verdadeiro?
Analisei a tatuagem em seu ante braço, buscando respostas nas pequenas letras.
"Reescrever as estrelas"
Ele pegou minha mão, entrelaçando os dedos nos meus com a mesma familiaridade de sempre, como se tudo ao redor fosse só ruído e nós fôssemos a única coisa importante ali.
— Eu sou completamente apaixonado por você — ele disse baixinho, e algo na sua voz me fez querer chorar. Mas não era de tristeza. Era a intensidade daquele amor, a verdade que ele dizia com tanta clareza.
Eu não precisei de palavras. Apenas me inclinei para frente e o beijei. O beijo de sempre, aquele que fala tudo sem ser necessário dizer nada. Aquele beijo que, com o passar dos anos, continuava a ser nossa linguagem secreta, nosso modo de lembrar que, apesar de tudo que aconteceu, apesar de todas as mudanças, o que realmente importava era o agora. E o agora estava perfeito.
— Eu te amo — sussurrei contra seus lábios, a voz falhando um pouco, porque eu sabia que não precisava repetir aquilo. Ele já sabia. Assim como eu sabia o quanto ele me amava.
Ele sorriu contra o meu beijo, e, com os olhos brilhando, disse:
— E eu vou continuar te amando, todos os dias, por todos os anos, até o fim dos tempos. Porque você é o meu começo, meu meio e meu fim.
Eu me afastei levemente, só o suficiente para olhá-lo, e ali, naquele banco, sob o céu tingido de dourado, com a brisa suave em nossos rostos e as mãos entrelaçadas, senti, pela milésima vez, que havia encontrado meu lar.
E ele estava bem ali, ao meu lado, sempre.
Cinco anos e parecia que o primeiro dia nunca havia acabado.
Fim.
Muito obrigada por ter chegado até aqui🩷
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝑅𝐸𝑊𝑅𝐼𝑇𝐸 𝑇𝐻𝐸 𝑆𝑇𝐴𝑅𝑆 - 𝑀𝑖𝑔𝑢𝑒𝑙 𝐶𝑎𝑧𝑎𝑟𝑒𝑧 𝑀𝑜𝑟𝑎
Fanfiction"-Você atrapalhou meu treino, pisou no meu pé, quebrou meu celular, e está brava comigo? - - Porque você é um completo idiota! -" 𝐴𝑙𝑖𝑐𝑖𝑒 𝑀𝑐𝐵𝑟𝑖𝑑𝑒, uma garota com inúmeros problemas, se apaixona por 𝑀𝑖𝑔𝑢𝑒𝑙 𝐶𝑎𝑧𝑎𝑟𝑒𝑧, um garoto...
