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Alicie

Acordar com o som de passarinhos, uma brisa leve entrando pela janela, e o cheiro de... meu Deus, isso é fumaça? definitivamente não estava nos meus planos para o sábado perfeito em casal.

— MIGUEL! — grito, já pulando da cama, o moletom todo amassado e o cabelo parecendo que eu lutei com um guaxinim.

Saio correndo do quarto e encontro a cena do crime: Miguel na cozinha da cabana, completamente perdido, tentando salvar uma frigideira com o que deveria ser uma panqueca, mas parece carvão em forma de disco voador.

— Amor, calma! Tô testando! — ele diz, tentando esconder o desastre com o corpo.

— Testando? Isso aí parece um sacrifício medieval!

— Ei! Pelo menos eu tentei fazer café da manhã romântico, você não vai nem valorizar?

— Valorizar a tentativa de incêndio? Claro! Vamos até tatuar isso. "Sobrevivemos ao café do Miguel."

Ele revira os olhos, cruza os braços e se encosta no balcão.

— Você é muito crítica, sabia?

— E você é muito iludido achando que sabe cozinhar!

— Eu sei sim, só... não com essa frigideira aqui! — Ele a aponta, como se ela fosse a grande culpada.

Mason entra na cozinha nesse momento, bocejando e coçando a barriga por cima da camiseta larga.

— Tá rolando o que aqui? Briga de casal às oito da manhã?

— O Miguel tá tentando nos matar com café da manhã — resmungo.

— Ah, então nada novo. — Ele pega uma maçã da fruteira e sai como se fosse o comentário mais normal do mundo.

Miguel bufa.

— Tá bom. Sem panquecas. O que você quer comer, então, dona crítica gastronômica?

— Torrada. E queimada do jeito certo, por favor.

— Sua vontade é uma ordem.

Ele sorri com aquele olhar debochado, e antes que eu possa retrucar, ele me puxa pela cintura e me beija.

E pronto. Já não sei mais se tava brava ou fingindo.

Duas horas depois, todo mundo já está acordado e a vibe é de férias total.

Dylan e Emy estão jogando baralho na rede, que não sei como ainda não rasgou com os dois se balançando feito criança, e Sarah está deitada no gramado com um copo de suco equilibrado na barriga.

— Esse lugar é um paraíso... exceto pelos mosquitos. E pelo Miguel cozinhando.

— Olha que eu volto pra cozinha, hein — ele ameaça, aparecendo com uma caixa de som na mão e óculos escuros ridículos no rosto. — Mas agora, é hora da trilha sonora do amor.

— Ai, meu Deus — sussurro.

Começa a tocar "Careless Whisper". Juro por tudo que Miguel começa a dançar no meio do quintal com aquele gingado torto dele.

— Never gonna dance again... — ele canta, fazendo passinhos esquisitos de balé.

— Para! PARA! — grito, rindo e me jogando no sofá da varanda.

Sarah está quase chorando de rir, Mason filma tudo (lógico), Emy bate palmas como se fosse show ao vivo, e Dylan finge ir embora.

— Eu tô me perguntando como a Alicia aceitou esse homem — ele comenta.

— Eu tô me perguntando se ainda dá tempo de desistir — respondo, rindo mais ainda.

Mas é mentira. Desistir nunca passou pela minha cabeça.

À tarde, resolvemos fazer trilha até uma cachoeira. Claro que não ia ser tranquilo.

Sarah quase caiu duas vezes, Emy gritou com uma aranha, Mason reclamou o caminho inteiro que queria um lanchinho, e Miguel... Miguel ficou me provocando o tempo todo, puxando meu boné, jogando pedrinhas em mim, me chamando de "gatita das selvas".

Até que ele escorrega numa pedra molhada e cai de bunda na água gelada.

— EU FALEI PRA PARAR DE MEXER COMIGO! — grito, rindo tanto que minha barriga dói.

— FOI TRAIÇÃO DA NATUREZA!

— Foi castigo dos deuses, isso sim.

Dylan gravou. Claro.

À noite, fizemos churrasco (Miguel foi banido da grelha), jogamos Uno (Mason quase foi expulso por roubo), e sentamos todos ao redor da fogueira, com Dobby no meu colo feito príncipe do acampamento.

— Acho que nunca ri tanto em um dia só — Emy diz, sorrindo.

— E amanhã? — pergunto, meio triste.

— Amanhã a gente volta, ué — Sarah responde, encostando a cabeça no ombro do Mason.

Miguel segura minha mão de novo, e aperta de leve.

— Mas a gente leva isso aqui com a gente, né? — ele diz, sério pela primeira vez em horas.

Olho em volta. Todo mundo bagunçado, rindo, cansado, feliz.

E percebo: ele tem razão. A gente vai voltar pra rotina, pro caos, pro mundo real. Mas esse final de semana aqui? É nosso.

Nosso caos. Nossa risada. Nossa bagunça.

Nosso amor.

E enquanto Dobby solta um "quá" meio irritado porque não compartilhei meu marshmallow, eu penso:

Se for pra brigar, rir e me apaixonar de novo a cada dia, que seja com ele. Mesmo que ele queime panquecas.

Ou talvez... porque ele queima panquecas.

𝑅𝐸𝑊𝑅𝐼𝑇𝐸 𝑇𝐻𝐸 𝑆𝑇𝐴𝑅𝑆 - 𝑀𝑖𝑔𝑢𝑒𝑙 𝐶𝑎𝑧𝑎𝑟𝑒𝑧 𝑀𝑜𝑟𝑎Onde histórias criam vida. Descubra agora