Reuniram cem policiais, alguns vindos de outras jurisdições para reforçar a investigação, além de duzentos soldados do governo. O campus era imenso — a maior universidade da Coreia do Sul —, onde quase todos os cursos existentes eram ensinados. Foram horas exaustivas de trabalho, corredores revirados, dormitórios bagunçados e expectativas frustradas. No fim, poucas provas haviam sido encontradas, e quase todas eram difíceis de se relacionar diretamente aos crimes.
— Me digam que tiveram sorte no lado leste, por favor — pediu Na Yejun, o pai de Jaemin, já com a paciência por um fio. A confirmação da morte da ex-esposa ainda ecoava em sua mente, e aquele caso estagnado só aumentava sua irritação. — É nossa última esperança. Nada relevante foi encontrado no restante do campus. Olhem isso… — ergueu um saco de evidências. — Uma mancha de esmalte vermelho. Todas as vítimas são homens.
— E homens não podem usar esmalte vermelho? — provocou um colega de longa data, apenas para irritá-lo.
— Você quer levar um soco? — Yejun quase gritou. — Nenhuma das vítimas estava usando… — interrompeu-se, respirando fundo. — Vou ignorar você. Temos coisas mais importantes a resolver. Soldado, pode me dizer o que encontraram?
— Sim, senhor. Não achamos muita coisa, mas em um dos quartos do curso de idiomas havia algo estranho dentro da gaveta de uma cômoda.
— O quê? — perguntou, sentindo a esperança reacender no peito.
— Parece um álbum de fotos, mas não há fotografias. Apenas objetos.
— Que objetos? Vocês apreenderam?
— Sim, senhor. Está aqui. — O soldado entregou um saco de provas contendo o álbum.
— O que havia dentro?
— Uma aliança, um piercing, uma caneta, uma carteira e alguns outros itens menores.
Yejun soltou um suspiro pesado, mas havia algo diferente em seu olhar.
— Vamos precisar enviar tudo para análise de DNA — disse. — Mas isso… isso é típico. Assassinos em série costumam guardar lembranças das vítimas. — Passou a mão pelo rosto, exausto. — Se eu estiver certo, esses objetos podem finalmente nos ajudar a ligar os crimes. Ainda falta algum lugar a ser revistado?
— Estavam verificando a lavanderia quando vim relatar.
— Pelo plano… — ele levou as mãos aos cabelos, demonstrando impaciência. — Ainda falta o jardim. Vá ajudar lá, por favor.
— Sim, senhor!
No dia seguinte, os soldados que haviam passado a noite inteira trabalhando finalmente teriam dois dias de folga. Apesar do cansaço extremo, muitos estavam aliviados. Havia esperança de que, finalmente, tivessem reunido provas suficientes para prender um monstro.
[...]
Enquanto os policiais aguardavam os resultados dos exames de DNA, Jaemin enterrava sua mãe.
Apesar de tudo o que havia vivido, ainda a amava. Dentro dele, a dor se misturava a uma confusão sufocante entre mágoa, culpa e um amor que nunca conseguiu apagar por completo. Além dele e do pai, apenas Jeno e Renjun compareceram. Talvez ela realmente não tivesse muitas amigas.
— Como você está? — Jeno perguntou ao sentar-se ao lado dele em uma das mesas reservadas aos convidados do funeral.
— Estou bem — respondeu automaticamente, embora seus olhos denunciassem o contrário.
— Eu sei ler o que seus olhos dizem quando você fica em silêncio — Jeno murmurou, puxando-o para um abraço firme. — Estamos aqui por você.
Jaemin fechou os olhos e permitiu-se relaxar naquele contato. Quem visse de fora jamais imaginaria que aquele homem forte, de aparência intimidadora, estivesse tão frágil por dentro.
— Obrigado — sussurrou.
O dia foi pesado. Memórias dolorosas surgiam uma após a outra, a maioria marcada por traumas. Ainda assim, ali estava sua mãe, morta de forma brutal e solitária. Ele não conseguia parar de pensar nisso. As mortes na faculdade, a morte dela… tudo parecia se entrelaçar de maneira cruel.
— O que vamos fazer depois daqui? — Renjun perguntou, observando atentamente suas expressões.
— Eu não sei.
— Eu só quero ir para casa e dormir um pouco — Jaemin completou, a voz baixa.
— Tudo bem — Renjun assentiu. — Vamos descansar.
Após a cerimônia, os três voltaram para casa em um táxi pago pelo pai de Jaemin. Ele insistira que o filho não andasse de moto naquele dia. Já no apartamento, juntaram dois colchões de solteiro no quarto do mais novo e se deitaram juntos. Não era uma forma alegre de passar o tempo, mas, naquele momento, a companhia era tudo de que precisavam.
[...]
Afrouxando a gravata, o senhor Na suspirou. Não dormira nada naquela noite e ainda teve de comparecer ao enterro da ex-esposa.
— Suas olheiras estão péssimas — comentou um colega.
— Obrigado pela observação extremamente útil — respondeu, carregado de ironia.
— Ei, calma, estou brincando — o outro ergueu as mãos. — Os resultados de DNA chegaram.
— E você só me diz isso agora? Onde estão?
— Aqui. — Entregou-lhe uma pasta preta, mais grossa do que o esperado.
Yejun a abriu com pressa. Levou alguns minutos analisando cada documento, cada relatório, cada número.
— Onde essas provas foram coletadas? — perguntou, sério.
— Na ala leste, no quarto de dois estudantes do curso de idiomas. Estavam no armário do aluno que estuda alemão.
— Vejo que também registraram tudo com fotos — comentou, sentando-se com mais firmeza na cadeira. — Foi uma boa noite de trabalho. Vamos solicitar o mandado de prisão pelos assassinatos dos estudantes.
Sentiu um breve alívio. Mas sabia que aquilo era apenas o começo. Ainda teriam de convencer um juiz, localizar o suspeito, apresentar o caso ao promotor e enfrentar todo o processo judicial.
Nada realmente terminava ali.
Enquanto isso, Yangyang estava em seu quarto de hotel, completamente alheio ao que se aproximava. Deitado na cama, assistia a uma série de comédia qualquer, rindo distraidamente enquanto comia pipoca, como qualquer outra pessoa aparentemente comum.
Sem imaginar que sua vida estava prestes a desmoronar.
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change | norenmin
FanfictionOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
