Capítulo 41

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Quando acordei, Dave até babava, dormindo profundamente. Beijei sua bochecha, passando a mão no seu cabelo. Ele abriu os olhos, grogue, e sorriu:

— Ei...

— Quantas horas são?

— Eu não sei. Tá com fome?

— Não, mas sua família não vai dar falta da gente?

— Relaxa, eles devem imaginar o que estamos fazendo, então tá de boa.

Então, ele olhou para mim, de um jeito que parecia estar pensando as coisas mais libidinosas que alguém poderia imaginar.

— O que foi? — Eu ri, puxando o lençol até o pescoço.

— Tá a fim de fazer algo diferente?

— Tipo o quê? A gente já deve ter feito todas as posições possíveis algumas horas atrás.

Ele virou-se de barriga para cima, olhando o teto, as mãos juntas sobre a barriga, tamborilando os dedos:

— Você já fez sexo anal?

— Não.

— E tem vontade?

— Hum, talvez.

Nessa hora, alguém bateu na porta e escutamos a voz de Lisa.

— Sei que estão aí, vistam suas roupas, estou esperando aqui fora.

Eu rapidamente fui vestir meu vestido, sem saber onde enfiar a cara.

— Relaxa. — Ele riu, tirando a fita da filmadora e sacudindo-a no ar — Agora esta fita é oficialmente a coisa mais valiosa que possuo.

— Você é um palhaço mesmo. Pelo amor de Deus, guarde bem isso.

Ele enfiou a fita pra dentro da calça, vestiu sua camisa e abriu a porta.

— O que foi sua chata? — Ele perguntou para Lisa, parada ali.

— Nora quer que você vá buscar um galão de gasolina para a pickup dela.

— Beleza, você vem, Mad?

Dave estendeu a mão e eu aceitei. Lisa olhou para nós de mãos dadas e pareceu empolgadíssima. Nós saímos do chalé e descemos para a casa da família.
Dave e eu fomos de carro até o posto de gasolina mais próximo, à uns 4 km dali. Era no fim de uma rua de poucas casas, e estava deserto, parecia até filme de terror.
Enquanto ele enchia o galão na bomba, cruzei os braços, olhando em volta. Estava tudo silencioso, as casas pareciam não ter ninguém, mas vi um carro no outro lado da rua, e pensei ter visto algum movimento dentro dele.

— O que foi, docinho? — Dave perguntou, me abraçando por trás, beijando minha bochecha.

— Sei lá, aqui é sinistro. Já podemos ir?

— Já.

Ele me beijou novamente e cheirou meu cabelo, antes de voltarmos para o carro.
Eu me sentia bem, leve, em paz. Mas, bem lá no fundo, tinha um mal pressentimento.

*

À noite, todos se reuniram no enorme gramado em frente a casa e fizeram uma fogueira. Estava muito frio, mas estavam todos bebendo e curtindo ali. Haviam algumas pessoas sentadas em tocos de árvore em volta da fogueira, inclusive Dave. Eu fiquei sentada no colo dele, e passamos boa parte da noite conversando com o pessoal, naquele calor gostoso da fogueira. Eu não me sentia confortável e feliz assim há não sei quanto tempo. Pela primeira vez, eu senti que estava onde deveria estar, senti que poderia pertencer a algo, a alguém, a uma família.

In BloomOnde histórias criam vida. Descubra agora