Veux-tu m'épouser?

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Ainda estou boquiaberto quando vejo Eros se aproximar um tanto acuado, com o rosto queimando de tão vermelho.

—V-Você acha que vão reparar? Algumas pessoas ficaram me olhando...

Nunca na minha vida pensei que viveria pra presenciar o Eros envergonhado. Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, o puxei pra um selinho.

—Que se fodam os outros, você tá simplesmente maravilhoso.—O sorriso que ele abre poderia iluminar a escuridão e transformar a própria noite em dia.—Deus, eu pensei que não podia ficar mais bonito do que já é, mas aqui está você me surpreendendo de novo.

—Para! Assim você vai me fazer derreter.

Eros se encolhe diante das minhas palavras, ficando ainda mais vermelho, mas ainda exibindo o sorriso de felicidade genuína.

—Então, vamos?

Ele apenas acena positivamente. Juntei os dedos dele nos meus, o conduzi até a porta do carro e a abri.

—Nossa, que cavalheiro você tá hoje.

—Você merece, essa noite é só nossa.

Entrei no carro e saímos em direção ao restaurante. O rádio tocava Can't help falling in love do Elvis e só deixei rolar, acho que ilustra bem o que eu quero mostrar pra ele nesse encontro. Eros está calado como já esteve a dias, mas diferente de antes, um sorriso de alegria parece se firmar em seu rosto e o acompanha durante toda a viagem. Em poucos minutos, seus olhos brilhavam com a visão de nosso destino, o restaurante em questão é o mais bem avaliado da cidade, o Memphis, possui três estrelas michelin e infelizmente pra minha carteira, é caro pra caralho. Mas se quer saber, o Eros vale cada centavo que eu vou gastar.

Estacionei perto da entrada e o ajudei a sair, já juntando nossos dedos outra vez. A fila estava um tanto grande, mas nada que pudesse estragar a noite, levaria no máximo dez minutos até a nossa vez. Tempo esse que foi o suficiente pra atrairmos alguns olhares, alguns eram neutros mas outros eram hostis e julgadores, o que me deixou mais irritado do que eu gostaria. O pior disso tudo foi que o Eros pareceu se afetar por aquilo e me agarrar mais forte, como se a qualquer segundo ele fosse deixado ali, com todos aqueles olhares maldosos.

Não vou deixar essa passar!

Identifiquei os rostos na multidão, um casal que parecia rico e esnobe e um homem bastante alto e musculoso. Se ele acha que tamanho é documento, ah, ele vai ter uma surpresa. Enquanto Eros se encolhia, acionei o encantamento de velocidade e me aproximei do casal, peguei o batom da mulher e, me certificando que não haviam crianças por perto, desenhei um pinto no rosto do homem e escrevi "otário" em sua testa, na mulher eu desenhei um bigode e depois lhe dei um pescotapa bem dado, o suficiente pra a cabeça dela se inclinar pra frente(inclusive, ainda bem que aprendi a controlar minha força, se não eu provavelmente teria arrancado a cabeça dela). Depois disso, dei um cuecão tão forte no trembolona que consegui cobrir sua cabeça com a cueca e pra finalizar, enfiei seus dedos no próprio nariz.

Assim que voltei pro Eros, o tempo voltou ao normal e o espetáculo começou. A mulher, furiosa pelo golpe, começou a discutir com o marido e lhe acertar alguns tapas no peito, acreditando ter vindo dele, algumas pessoas começaram a rir da cena e das marcações no rosto dos dois, o trembolona começou a cambalear tentando entender o que havia acabado de acontecer e caiu sentado logo depois.

Eros me olhou incrédulo e eu apenas pisquei pra ele, o que lhe arrancou algumas gargalhadas gostosas de se ouvir e balançar a cabeça em negação.

—A reserva está no nome de quem?—A atendente perguntou quando chegou nossa vez, com um sorriso simpático no rosto.

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