Novo Eu

33 6 87
                                        

A algazarra do bar morre lentamente quando eu adentro o local. O único som era a moeda girando entre os meus dedos, chamativa não só pelo ruído, mas também pela aparência, feita de um metal preto e com detalhes entalhados em ouro, o principal sendo os símbolos de um crânio humano no centro em cada face.

Mentalizei a contagem de corpo no mesmo momento que pisei aqui, tem cinco homens em volta de uma mesa de bilhar em um canto na esquerda, três brincando de arremessar facas num desenho mal feito de um anjo um pouco mais atrás, quatro súcubos bebendo ao redor de uma mesa um pouco mais perto do centro, uma delas até mesmo crava uma faca perto do copo quando me vê passar, e no balcão há dois hounds bebendo cerveja. A barmaid, outra hound, dona de um corpo forte e estatura alta me encara com cara de poucos amigos quando me sento no balcão, entre os outros clientes.

—Sua raça não é bem vinda aqui, pombo! Você tem cinco segundos pra sair da minha frente antes que eu te depene!

"Pombo" ouvi essa palavra com certa frequência nos últimos meses. Geralmente da boca de quem caía morto segundos depois de proferi-la.

—Você sabe o que é isso aqui?—Mostrei a moeda, que ainda rolava pelos meus dedos, a ela e coloquei no balcão. A barmaid e os outros dois hounds ao meu lado arregalaram os olhos na mesma hora, quase pude ouvir o choro de cachorros vindo deles nesse momento(hounds são demônios com formas de lobo).

—A-Azrael...

O bar todo cai em um silêncio ainda mais tenso que antes, mas dessa vez a tensão se deve ao medo das pessoas ao redor.

—O próprio. Agora, vamos começar de novo, eu vou fingir que você não acabou de ser racista e você vai me servir uma dose de whisky, por conta da casa, é claro.

—Ei! Calma ai, ela não é obrigada a te dar bebida de graça só porque-

Antes que quem quer que fosse continuasse, eu apenas saquei o revólver e atirei pra trás, na direção da sua voz. Os gritos das súcubos seguidos pelo som do corpo acertando o chão denuncia que eu acertei em cheio. E então simplesmente deixo a arma sobre o balcão.

A essa altura, os outros clientes estão em alerta, os hounds ao meu lado se levantaram e andaram uns três ou quatro passos pra longe, e posso sentir o glifo de repulsão fumegar em reação à magia dos outros que eu sei que estão apontadas pra mim.

—Se tem uma coisa que me irrita é alguém me importunando quando eu tô querendo beber, serve a bebida e vamos tratar de negócios.

Senti o cano de uma arma pressionado contra a minha cabeça, o reflexo no vidro atrás da barmaid revelava todos os clientes do bar prontos pra uma luta.

—Sem essa de negócios! Você não pode simplesmente matar quem quiser e sair impune!—Veio do homem que tinha a arma contra a minha cabeça, ele falava com convicção, mas sua mão tremula revelava o seu medo.

—Não façam isso, seus idiotas! Ele vai matar todos nós!

Meu reflexo no espelho revelou as íris azuis dos meus olhos ganhando um brilho intenso enquanto a magia fluía pelo meu corpo. O tempo desacelerou no mesmo momento que ele puxou o gatilho. Me levantei pegando a arma e desativei o encantamento de velocidade bem atrás dele, com a arma colada na sua cabeça. Um estalo foi tudo que saiu da arma dele, já que eu também havia retirado e enfileirado todas as seis balas no balcão à frente dele. Aquele demônio deu apenas um sobressalto antes que eu disparasse, seu sangue espirrando no meu rosto.

Que o caos comece!

Me virei rapidamente segurando o cão do revólver com a outra mão, apertando o gatilho mais quatro vezes, então gastando o resto da munição nos inimigos e acertando três fatalmente. Ativei a velocidade outra vez enquanto pegava a segunda moeda entre os dedos, joguei na direção de um grupo e me afastei, já a uma boa distância, fiz um sinal de joinha com a mão e abaixei o polegar. Um som de clique soou da moeda, um chiado breve se fez presente junto ao brilho verde que emanava dos olhos das caveiras, o que se seguiu foi uma explosão de chamas esverdeadas, engolindo e devastando todos em volta.

Tasteful DepravityHistórias para pegar e não largar. Descubra agora