No outro dia, acordamos um tanto tarde. 17:37, pra ser mais exato. A primeira coisa que senti foi uma boca conhecida beijando delicadamente a pele do meu pescoço.
—Bom dia, mon cherie.—A voz suave e rouca do meu amado me chamava, despertando-me do sono, seus dedos delicados no meu rosto, as unhas longas fazendo carícias contra a minha pele.
—Bom dia, mon amour.—Um selinho demorado e cheio de paixão se seguiu de minhas palavras, minha mão firme na sua cintura, o trazendo para mim.
—A gente dormiu bastante hoje, nem deu pra ser produtivo.
Sua voz era manhosa, como se eu não soubesse que ele não adorou ter uma desculpa para continuar ali, deitados juntos no aconchego dos braços um do outro. O puxei para meu colo, nossas peles desnudas coladas umas nas outras.
Mas antes que o momento pudesse evoluir pra algo mais quente, o celular do Eros tocou, e ele suspirou de frustração quando percebeu se tratar da Laura.
—Alô, Laura?—A expressão de tédio dele se acendeu em algo mais sério, ele se levantou subitamente e acabei fazendo o mesmo.—Como assim!? Onde ele foi visto pela última vez!?
—O que tá acontecendo, Eros?
—O Oliver sumiu.—Ele disse cobrindo o celular por um momento.
Um calafrio subiu pela minha espinha. Merda, eu sabia que ele estava agindo estranho! Comecei a me vestir e pegar todas as minhas relíquias, Eros fazia o mesmo enquanto continuava na linha.
—Já estão procurando ele?—Ele fez uma pausa, esperando a resposta.—Falem pra cidade inteira ficar em alerta, quero que me avisem no momento que alguém o vir!
Com os dois prontos, chamei Fang e o fiz abrir um portal pro quarto do Oliver na Quentin. Estava tudo normal, aparentemente, a cama estava arrumada e todo resto parecia no lugar.
—Will.—Eros tinha o celular dele nas mãos, estranho, Oliver sairia sem ele? Difícil de acreditar, tem algo errado acontecendo aqui.
Ele estendeu o celular na minha direção e entendi na hora a sua intenção, repousei minha mão sobre o objeto e Eros repousou a sua na minha, liberando o psionismo, estimulando minha mente e me forçando a ter qualquer visão que seja sobre o dono do celular.
Fechei meus olhos, mas estranhamente, não vi nada, apenas ouvi. Parecia uma conversa entre Oliver e alguém que ligava pra ele.
—O seu trabalho era vigiar o moleque, não ajudar ele a recolher a porra dessas páginas!
A voz do homem do outro lado era autoritária, intimidadora.
—Eles acharam as páginas sozinhos, eu só fui pra não levantar suspeitas.
Eu podia sentir o receio, o medo na voz do Oliver, quem quer que falava com ele naquele momento, o assustava demais.
—Vamos ter uma conversinha, vem pro armazém, não preciso nem te dizer pra deixar o celular em casa e não avisar ninguém, né?
—N-Não Dutch, tudo bem, eu te vejo hoje a noite.
A voz dele vinha embargada por lágrimas de desespero. Essa conversa foi bem esclarecedora.
Agora eu sei quem tenho que caçar.
Eu sabia que aquele desgraçado era suspeito, mas nunca ia imaginar algo assim. E o pior de tudo é que o arrombado esteve perto da minha mãe, se ele encostou um único dedo nela...
Enquanto Eros avisava as súcubos pelo telefone, Fang abriu um portal de volta pra casa, onde a minha moto estava estacionada.
—Revirem todos os armazéns da cidade de cima à baixo se precisarem, mas achem ele.—Eros desligou e montou na garupa, onde eu já dava partida e começava a nossa busca.
Eros usava seu poder pra fazer uma busca pelos arredores por onde a gente passava e cada segundo que ele não conseguia detectar o Oliver o meu coração batia um pouco mais rápido, afinal isso é culpa minha. Eu sabia que ele estava estranho naquele dia, eu sabia, e mesmo tendo a oportunidade não perguntei o que havia de errado. Não vou conseguir me perdoar se meu descuido lhe causar mal.
—Will, para!—Assim o fiz, Eros fechou os olhos por um momento.—Ali! É o Oliver, tenho certeza!
Ele apontou a direção certa e eu pisei com tudo no acelerador. Estavamos nos afastando mais e mais da cidade em uma floresta em uma área mais ao norte. Esse lugar é frio, escuro e nem um pouco convidativo, mas nós não podemos parar, não agora.
—Para!—Freei na hora, ainda estávamos no meio da trilha, só tinham árvores e mais árvores à nossa volta.—Consigo sentir a presença dele fora dessa estrada, no meio da floresta.
—Vamos deixar a moto aqui e seguir voando, manda a localização pras meninas.
Nós dois empurramos a moto pra fora da estrada, onde estivesse escondida e então batemos nossas asas em direção aos céus.
Não havia nenhuma luz na floresta, mas ao longe era possível ver uma construção entocada na parte mais isolada daquele matagal enorme.
—Só pode ser lá, eu posso sentir, Oliver está em perigo.
Trocamos um olhar preocupado antes avançarmos por entre as nuvens e chegamos em poucos minutos.
—Se prepara Will, quem quer que esse cara seja, deve ser poderoso, só isso explica ele conseguir ameaçar alguém do conselho.
Assenti, invocando o revólver e abrindo a porta com cuidado.
A cena à minha frente não era bonita, Oliver estava amarrado em uma cadeira. E à sua frente estava aquele homem, o tal do Dutch, o espancando sem nenhuma misericórdia, seus olhos estavam roxos, havia sangue e hematomas por todo o seu rosto, ele nem ao menos respondia aos golpes, parecia estar prestes a perder a consciência.
Eu reconheceria o rosto daquele homem em qualquer lugar, mas haviam outras duas pessoas com ele, uma velha e um outro homem, a idosa era menor que o Eros, tinha olhos castanhos, pele branca, andava de bengala e vestia um vestido branco.
Já o outro homem parecia ter uma idade próxima a minha, tinha cabelos negros longos, olhos também castanhos, pele clara e se vestia de maneira formal, com terno e tudo.
Na verdade, eu não prestei muita atenção neles, pois assim que vi o que aquele desgraçado estava fazendo com o Oliver, não pensei em mais nada além de partir pra cima dele com tudo que tenho.
Invoquei a manopla sentindo meu sangue ferver enquanto me aproximava com o encantamento de velocidade ativado. Acertei um soco certeiro no seu peito, senti o impacto do golpe mandando uma onda de choque no entorno, consegui ouvir o som dos seus ossos se partindo. Com minha velocidade voltando ao normal, seu corpo é lançado pra trás enquanto ele grita de dor e espanto, os outros dois o seguram antes que ele vá muito longe.
Eros se projetou ao meu lado com os tentáculos prontos pra dilacerar a carne deles.
Dutch encarou meu rosto, sua expressão se suavizou por um momento, um sorriso cheio de malícia surgiu em seus lábios logo após.
—Finalmente, eu estava te esperando, moleque.—Ele se aproximou até estarmos cara a cara.
Mesmo que ele seja mais alto e eu precise olhar pra cima pra encarar seus olhos, não me acovardei ou sequer me mexi. Agora eu sei exatamente o que isso é: Guerra.
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Tasteful Depravity
Romance[Primeira obra da saga Lovely Sins] Estar preso em um internato no auge da vida adulta normalmente seria um porre, e no caso de William é um porre. Estando no seu segundo ano na Quentin, uma escola interna para garotos, William Rupert de 19 anos aca...
