Passaram-se dois dias desde o incidente, desde então nossa casa tem se tornado uma verdadeira fortaleza, as meninas revezam na patrulha e no cuidado com os ferimentos do Oliver, enquanto eu ou o Eros revezamos como protetores.
O que fazemos enquanto o outro protege a casa?
Bom...
—A gente pode fazer isso o dia todo, ou você pode abrir o bico e piar, passarinho.—Confesso que nunca me vi torturando alguém por informação, mas aqui estamos.
O anjo acorrentado na cadeira tem hematomas por todo o rosto, sangue manchando sua pele, nas costas existem dois buracos ensanguentados onde suas asas costumavam ficar, costumavam, agora elas estão jogadas num canto qualquer, completamente inutilizadas.
Seu olhar vai de mim ao chão a quilômetros de distância de nós quando afrouxo o aperto na corrente, fazendo a cadeira se inclinar ainda mais na beirada do prédio.
—Acho que você já deve ter percebido pela sua situação que eu não me importo muito com o que acontece com você, seu azar é que sou eu aqui e não o Eros, ele só teria invadido a sua mente e te matado assim que conseguisse o que queria.—Sorrio de forma cínica, tirando um maço do bolso.—Se já quiser falar, eu te dou um trago pra aliviar os nervos.
Os lábios dele tremem enquanto aproximo um cigarro da sua boca e acendo. Aproveito a deixa pra também acender um e tragar lentamente.
—Os últimos que eu interroguei disseram que não fazem ideia de onde o codex tá escondido, então não vou perder meu tempo com essa pergunta.—Tiro o cigarro da sua boca com cuidado.—A velha e o cabeludo que tão ajudando o Dutch, quem são?
Os olhos dele se arregalaram por um breve momento, ou seja, ele sabe de alguma coisa e tem medo de dizer.
—S-Se eu contar eles...
—Te matam né? Tô ligado.—Fiz uma pausa pra assoprar um pouco de fumaça.—Pergunte a si mesmo, é melhor morrer agora, ou viver pra ter uma chance de escapar depois?
Ele revesa o olhar entre mim e o chão à mais de 30 metros de nós, ponderando suas opções.
—Eu tô me sentindo generoso, mas é melhor escolher rápido—Pra deixar mais claras as minhas intenções, afrouxo um pouco o meu aperto às correntes, fazendo a cadeira ir um pouco pra trás e enchendo o olhar dele de pavor.—, do contrário eu vou ter que estender essa oferta a outra pessoa.
—A-A Maida é parte do conselho das virtudes, e o Ramón é o anjo da morte!—Ele praticamente grita em desespero.
—O anjo da morte sou eu.
—Sim, m-mas você só nasceu agora, alguém precisava cumprir o seu papel enquanto isso.
—E esse alguém é o Ramón?
—Tinham outros antes dele, a tocha vive sendo passada adiante.
—Por que? Anjos são amortais, não era mais fácil deixar só um no cargo?
—Não dá, o anjo da morte precisa sempre carregar o karma dentro de si, mas aquele troço mata qualquer um que não seja o verdadeiro anjo da morte.—Assim que ele diz isso, seus olhos se arregalam, acho que ele não podia dizer isso.
—O que é esse tal karma?
—E-Eu não sei...
Comecei a afrouxar meu aperto sobre as correntes, o pânico tomou conta bem rápido.
—Não, não, não, eu juro que não sei!
Voltei a agarrar a corrente, o puxando em minha direção pra acalmar seus nervos. O pânico dele é genuíno, posso sentir.
—Só sei que é alguma energia que os anjos usam pra servirem como anjo da morte.
—Nem perde seu tempo Will, nem os anjos sabem o que essa coisa é, só sabem que é perigosa.—Dante surgiu ao lado dele, fumando um cigarro.
—Então, você sabia que essa coisa existia e não me contou?
—Se eu soubesse que um dos trouxas tentando te matar era o portador dela, teria te contado sim.
—T-Tá tudo certo? E-Eu posso ir embora? É tudo que eu sei, eu juro!—Ele estremece enquanto me olha com olhos suplicantes, dá até um pouquinho de pena.
—Claro, só tenho que fazer uma coisinha primeiro.—Com o par de moedas nas mãos, ativei seus encantamentos ao mesmo tempo, o anjo se contorceu de dor por um breve momento, seus olhos brilharam em uma cor roxa intensa, mas logo tudo cessou.—Tem uma explosão inerte dentro de você agora, se eu voltar a te ver, te explodo no mesmo instante, entendeu?
Ele sinaliza "sim" freneticamente em desespero, seus olhos, apesar de inchados, conseguiam transmitir todo o medo que sentia.
—Ótimo.—Quebrei as correntes com minhas próprias mãos e o empurrei da cadeira, ele cambaleou e quase caiu, mas recuperou a postura.—Some daqui, e é melhor você nunca mais falar com o Dutch, eu posso te explodir mesmo que você esteja do outro lado do mundo.
O anjo mal escuta minhas palavras, apenas corre pra entrada do térreo com o rabo entre as pernas. Dante surge um pouco depois, com um olhar não muito amigável.
—Mandou mal moleque, tá bem na cara que ele voltar correndo pro Dutch.
—Relaxa, tá tudo sobre controle.—Enquanto conversamos, ativei o encantamento dentro do anjo, ele realmente tinha uma explosão dentro dele, mas não foi o único efeito do meu feitiço.
Minha visão se turvou por um momento, e quando voltou ao normal, estava enxergando pelos olhos da minha mais recente vítima, que discava o número do Dutch enquanto ainda descia as escadas, alheio ao fato de que havia se tornado um drone.
Acabei sorrindo instintivamente pelo truque novo que viria a calhar.
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Tasteful Depravity
Romantiek[Primeira obra da saga Lovely Sins] Estar preso em um internato no auge da vida adulta normalmente seria um porre, e no caso de William é um porre. Estando no seu segundo ano na Quentin, uma escola interna para garotos, William Rupert de 19 anos aca...
