Embate

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O desgraçado sorria de orelha a orelha, seus olhos observavam cada detalhe do meu rosto, vidrados.

—Te olhando mais de perto agora, você me é familiar moleque, eu já tentei te matar antes?

Não respondi, apenas coloquei o dedo no gatilho, sem que eles pudessem perceber.

—Dutch!—A velha chama sua atenção.—O Asmodeus está aqui, vamos embora antes que ele decida atacar.

—Relaxa, Maida, só segue o plano.

A mulher bufa de frustração e bate a bengala contra o solo. Entre mim e o Eros, uma espécie de barreira mágica de luz se ergue, nos separando. Não consigo conter o desconforto em deixá-lo sozinho com os outros dois, acertei meu punho com toda minha força no escudo, mas o mesmo nem se move. Eros olha pra mim com a mesma apreensão, tentando um golpe com os tentáculos que também não surte efeito algum.

—Vamos segurar ele, acabe logo com esse moleque, Dutch!—A velha olhou pro outro homem com ela.—Ramon! Sabe o que fazer, querido.

Assisto, impotente, enquanto aquele homem desconhecido parte pra cima dele.

—Eros!—Tento outro golpe contra a barreira, mas sou frustrado com mais uma tentativa inútil.

—Will, cuidado!

Escuto seu aviso na hora certo de desviar de um soco vindo do adversário preso comigo desse lado, seu punho passa a centímetros do meu rosto. Nesse momento, posso ver a pele do seu braço envolta em uma camada sólida de algo que parecia ser diamante. Meu reflexo foi me afastar com a arma pronta e apontada em sua direção. O primeiro disparo foi o suficiente pra me mostrar que não seria tão simples, vejo a bala ricochetear na sua pele como se fosse feita do mais resistente aço.

Saquei minha karambit e comecei a me defender de seus golpes com certa dificuldade. Não sei se é por causa desse encantamento na pele, mas ele é muito forte, cada soco que eu redireciono com a faca quase tira meu equilíbrio. Eu recuava cada vez mais, tentando achar uma brecha pra um contra-ataque, o que acaba não sendo tão difícil quanto imaginei devido a sua lentidão. Quando Dutch lança um golpe um tanto desajeitado em direção ao meu rosto, uso o anel da karambit pra aparar seu punho e jogá-lo pra baixo, seguindo com um golpe com a lâmina direto no seu pescoço.

Que acabou não surtindo efeito algum.

Um rastro daquela pele de cristal havia subido pelo seu peito até o pescoço, o protegendo da minha lâmina.

—Já acabou de se aquecer, moleque?—Dutch virou a cabeça na minha direção, com um sorriso confiante e sínico, estralou o pescoço e avançou em minha direção outra vez.

Decidi mudar de estratégia. Levantei voo, me afastando dele já preparando uma flecha elemental de fogo. Disparei, a flecha o acertou no peito e foi bloqueada também pelo encantamento.

—Não adianta, Will, ele tem uma das minhas relíquias, o coração de cristal, vai protegê-lo de qualquer golpe que você tente acertar.

Dutch cravou os dedos revestidos no chão, puxou um pedaço de concreto e lançou-o na minha direção.

Consegui desviar sem dificuldades, revidando com uma flecha elemental elétrica da qual ele se defendeu sem esforço com a pele de cristal e revidou também com outro pedaço de concreto.

—Tem que ter algum jeito de acertar ele!

—Pegar ele de surpresa é o único jeito, usa a super velocidade, moleque!

Desvio de mais e mais arremessos vindos dele, sempre revidando com flechas, mas nunca tendo êxito no contra-ataque. Mas então um som me tirou da luta, o som de uma voz conhecida, sons de esforço contra uma força poderosa, Eros perdeu o equilíbrio por um milésimo de segundos, tempo o bastante pro seu oponente ganhar um pouco de vantagem e pressionar um pouco mais, nada muito drástico, mas no curto período de tempo de descuido, eu não percebi outro projétil vindo na minha direção e me desviei de maneira desajeitada, o que acabou acertando uma das minhas asas e me levando direto ao chão onde Dutch já aguardava e me agarrou pelo pescoço sem nenhuma demora.

Tasteful DepravityHistórias para pegar e não largar. Descubra agora