39 - alexia

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Posso morar aqui

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Posso morar aqui.

A senhora van Bokhoven gosta de mim, eu posso postergar qualquer esbarrão com meus pais e criar uma realidade alternativa onde nada aconteceu. Simples. E eu não preciso me preocupar em como imaginei minha vida em liberdade, já que nunca acreditei que esse dia iria chegar mesmo e nunca tive pensamentos muitos férteis. Eu realmente não tive. No subconsciente, talvez eu tenha, mas isso pouco importa: já foi um milagre sair, não é difícil se contentar com algo que de certa forma é positivo: eu sou bem tratada e ninguém reclama de quem eu sou.

Não que eu seja alguém aqui. Eu não faço absolutamente nada que meus pais reclamariam, então... não sei. Que se dane. Estou gostando de ficar aqui. É o que importa.

E eu poderia ensaiar algo como "não se preocupe comigo, mas será que seus pais me deixariam ficar aqui por alguns meses?" para Catarina e dizer que procuro um trabalho, qualquer coisa... mas o pensamento não se sustenta muito. Ele me tira o sono, me faz acordar tarde... mas basta uma visita desejada para o cérebro me lembrar que gosto de mentir para mim mesma.

Quando saio do quarto, pronta para explicar que dormi mal e por isso acordei tão tarde, Catarina está encostada no balcão. Normal, é a casa dos pais dela. Não é uma viagem tão distante assim, é completamente possível. Ainda sim, vê-la conversar com Lissa parece mais uma miragem.

Ela me vê. A Catarina caseira, de camisa larga e short de tecido. Sorri e acena como se não estivéssemos a centímetros e me abraça como se soubesse que preciso de um contato familiar.

— Vocês parecem bem acomodadas aqui para mim — Catarina sorri de canto.

— Elas são as melhores companhias que você já trouxe. — Edna diz próxima da pia.

— A Alexia precisa de mais alguns dias aqui para entrosar mais, mas a Lissa é uma ótima companhia. — Seu Matias diz.

Catarina ri.

— Eu estou com medo de vocês não sobreviverem quando as duas forem embora.

— Estou acostumado a ter filhas que vão embora e esquecem dos outros.

— Pai, eu venho com frequência.

— Não é o suficiente.

— Sei, aposto como você tá sentindo mais falta daquela pestinha.

— Amo todas iguais.

Catarina gargalha de um jeito carinhoso antes de ir provocar o pai mais perto, sendo carinhosa. Mesmo alta, não parece tanto perto dele. De modo geral, é como se houvesse uma versão extra da Catarina caseira só que com os pais: ela é mais doce, o que parece estranho, mas não parece forçado. Ela pergunta sobre o irmão, provoca, quer saber o que mais aconteceu desde que nós duas chegamos como se não houvesse ligações com frequência.

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