Coração e razão

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Eles não brigam.
Eles dançam.

Coração vem primeiro, descalço,
cheio de sonhos e urgência.
Quer tocar, viver, dizer.
Ele sente — e isso basta.

Razão vem depois, devagar.
Traz um casaco, um mapa,
olha pros lados antes de atravessar.

Eles não são opostos.
São dois lados do mesmo passo.
O coração dá impulso,
a razão dá direção.

Às vezes, o coração diz:
"Fica. Mesmo sem respostas."

A razão responde:
"Mas até quando?"

E nessa conversa que ninguém ouve,
eu fico no meio.
Tentando entender o tempo das coisas,
o silêncio do outro,
os sinais que não são palavras,
mas que ainda assim me tocam.

E eu percebo:
Não preciso escolher entre um e outro.
Preciso ouvi-los.
Ambos querem me proteger,
cada um à sua maneira.

Se meu coração pulsa por ele,
e minha razão ainda não encontra garantias —
talvez o caminho seja leve.
Sem pressa.
Sem entrega cega.
Mas também...
sem medo de sentir.

Porque amar com sabedoria
é isso:
sentir com o peito aberto,
e caminhar com os pés no chão.

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