Você é maré.
Vem com força, com poesia,
com vontade de tocar a alma de quem fica.
Seu coração não teme profundezas —
ele dança com as correntes,
fala com as estrelas,
ama com mar inteiro.
Ele... é lagoa.
Silencioso, sereno, contido.
Sente com os olhos, responde com gestos,
com um gato se esfregando nos pés,
com um silêncio que não foge,
com uma presença que, mesmo quieta,
diz: "estou aqui."
Talvez ele ainda não saiba nadar no seu oceano.
Mas ele fica na beira,
olhando as ondas com admiração.
E isso, de algum jeito calmo, também é afeto.
Também é início.
Você não precisa diminuir sua maré.
Não precisa se secar pra caber na margem dele.
Permaneça água — profunda, viva, verdadeira.
Se for amor, ele virá.
Molhará os pés.
E quem sabe, um dia, mergulha também.
Eu sei...
Eu sinto as coisas como o mar sente o chamado da lua —
profundamente, de forma constante, viva.
Eu falo com marés.
Me movo com o ritmo daquilo que me importa.
Às vezes chego suave. Outras, como ondas.
Mas nunca sem intenção.
Você... você me parece lagoa.
Silenciosa. Atenta.
Você não fala muito, mas permanece.
Deixa as coisas refletirem em você.
E isso também é uma forma de sentir.
Talvez a gente fale línguas diferentes.
A minha é poesia — a sua é presença silenciosa.
Eu transbordo — você se acomoda.
Mas comecei a ver algo bonito nisso.
Porque eu não preciso que você vire mar.
E eu não quero virar margem.
Só quero saber...
se talvez, no seu jeito calado,
você gosta de ver a maré subir.
E se um dia você quiser tocar a água,
eu estarei aqui —
não pra te afogar,
mas pra te mostrar que a profundidade também pode ser suave.
Você é maré.
Chega com intensidade, com brilho de luar nos olhos,
trazendo ondas cheias de emoção e vontade de mergulhar.
Você sente tudo — e sente fundo.
Ama com força, fala com alma, vive com poesia no peito.
Ele é lagoa.
Silencioso, contido, calmo.
Não fala tanto, mas permanece.
Observa. Escuta. Fica.
E talvez, no silêncio dele, exista um mundo que só se revela aos poucos.
Você transborda.
Ele abriga.
Você vem com a força do oceano.
Ele reflete o céu.
E ainda assim... vocês são água.
Na essência, são feitos do mesmo elemento:
sentem, cuidam, vibram com o que importa.
Pode ser que ele não saiba nadar nas suas profundezas.
E tudo bem.
Porque só de estar à beira do seu mar,
olhando com curiosidade e afeto,
ele já está dizendo:
"Eu gosto de estar aqui."
Talvez ele ainda esteja aprendendo a se molhar,
enquanto você é toda tempestade e dança.
Mas se houver respeito pelos ritmos,
um dia vocês se encontram num abraço de enseada,
onde a maré acalma,
e a lagoa se move.
Dois jeitos de ser água.
Duas formas de amar.
E no encontro...
existe algo bonito, leve, e real.
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Palavras ditas!
PoesíaAaah, as palavras... com ela expressamos o que há no mais profundo do nosso ser...
