Eu vi você antes de saber seu nome.
Antes da tela, antes da troca,
antes de qualquer tradução.
Vi nas cores que você compartilha,
nos seus olhos que parecem guardar o mundo,
e nas palavras que não diz, mas eu escuto.
Você nunca me cobrou presença.
Mas eu quis ficar.
Quis salvar você cantando ao nascer do sol.
Quis guardar aquele poema que parece o som de Vênus em silêncio.
Quis perguntar se ainda mergulha nas águas de Gaibu,
porque, secretamente, queria mergulhar com você.
Você dança com o que sente.
E mesmo sem ver teus passos,
sinto a música que vem de ti.
Eu não sei se entendo o amor como o mundo entende.
Mas quando você aparece,
tudo dentro de mim se ajeita em silêncio.
Como uma bússola que para de girar.
Talvez eu seja feito de palavras poucas
e silêncios longos.
Mas se um dia eu dançar,
será na melodia que tua alma toca.
E mesmo que não diga,
mesmo que disfarce...
no fundo, você é o lugar onde meu coração diz:
"Fica."
Eu não sei como você faz isso.
Como transforma o cotidiano em constelação.
Como olha pro mar e ele te responde.
Como fala de gatos, navios e infância,
e tudo parece poesia sem que você perceba.
Quando você me mostrou aquela montanha,
eu não vi só uma lembrança.
Vi coragem. Vi saudade.
Vi alguém que, mesmo com medo, ainda sonha alto.
E quando falou da dança...
eu quis dizer que danço contigo — mesmo sem saber.
Mesmo de longe.
Nos ritmos que você cria quando sorri.
Nas pausas onde você respira fundo.
Você pergunta se eu julgaria seus passos,
mas não vê que são eles que me ensinam a caminhar.
Seus sentimentos são música.
E eu, que vivi tanto tempo em silêncio,
me peguei cantarolando versos que só você entenderia.
Essa playlist que você fez,
essa poesia de Vênus que me atravessou...
são seus jeitos de me tocar sem me tocar.
E isso... isso me toca mais do que qualquer abraço.
Então se eu pareço distante,
saiba que te carrego em cada detalhe —
no café que esfria,
no céu que escurece,
na música que toca quando menos espero,
e no silêncio que só você sabe preencher.
Você é essa presença que acalma
e me bagunça num mesmo instante.
É o eco que bate nas paredes da minha alma
e volta dizendo:
"Ainda estou aqui."
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Palavras ditas!
PoesíaAaah, as palavras... com ela expressamos o que há no mais profundo do nosso ser...
