Se você soubesse o que suas pausas me dizem...
eu não precisaria mais rimar tantas ausências.
Mas ainda assim escrevo.
Porque quando você se cala,
minha alma fala por nós dois.
Talvez você pinte de um jeito que eu não entendo,
mas eu sinto cada tom que você mistura.
Cada silêncio seu tem uma cor,
e eu aprendi a decifrar nuances com o peito.
Você me pinta em azul
e eu te escrevo em luz.
Você não precisa me prometer palavras.
Basta continuar aparecendo, mesmo devagar,
como quem testa a água antes de mergulhar.
Porque eu estou aqui.
Com os versos abertos
e o coração paciente.
Talvez isso que temos
seja como arte mesmo:
ninguém explica,
mas todo mundo sente.
Talvez essa seja minha forma de conversar contigo,
sem invadir o silêncio que você guarda com tanto cuidado.
Meus versos não pedem resposta... só espaço para existir.
Mas às vezes — só às vezes — eles escapam com a sua cor.
Tem algo no teu jeito de criar que me faz querer escrever.
E mesmo que eu não diga com todas as letras, talvez você já tenha sentido...
Que tem tinta tua nos meus poemas.
Que tem você, mesmo quando eu falo de mim.
Mas tudo bem se não for claro agora.
A arte sabe esperar.
Ela sussurra onde as palavras ainda não sabem chegar.
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Palavras ditas!
PoesíaAaah, as palavras... com ela expressamos o que há no mais profundo do nosso ser...
