Somos duas linguagens
falando o mesmo sentimento em dialetos diferentes.
Eu sou verbo.
Você, imagem.
Somos o que não precisa ser explicado,
mas que ainda assim deseja ser compreendido.
Eu chego com tempestades brandas,
você se oferece em céu nublado.
Somos ponte e margem,
vento e raiz.
Eu me movimento,
você ancora.
Mas quando nossos olhos se encontram,
há silêncio — e no silêncio, entendimento.
Há ternura — e na ternura, espaço.
Há curiosidade — e no mistério, vontade de ficar.
Eu sou o verso.
Você, a moldura.
E mesmo quando não diz, você mostra.
E mesmo quando não vê, eu sinto.
Somos o início de uma conversa que ainda não terminou.
Somos pausa que não quer dizer fim.
E mesmo que sejamos diferentes,
a verdade é:
eu reconheço a beleza de ser com você —
sem deixar de ser eu.
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Palavras ditas!
PoetryAaah, as palavras... com ela expressamos o que há no mais profundo do nosso ser...
