(o fio que não se desfaz)
Dizem que há um fio vermelho,
fino como a esperança,
forte como o destino,
que liga duas pessoas predestinadas
desde o início dos tempos.
Às vezes, ele se enrola.
Às vezes, estica até doer.
Mas nunca...
nunca se rompe.
E eu gosto de pensar que esse fio
passa por entre teus dedos agora.
Mesmo que tu não vejas.
Mesmo que ainda não saibas.
Quando tu me respondeste com ternura,
quando falaste das coisas pequenas —
como os animais dormindo enroladinhos,
como os pássaros que eu canto para acalmar —
foi como se o fio brilhasse um pouco mais.
Não somos nós que puxamos.
É o fio que guia.
E se um dia, em silêncio, tu sentires esse mesmo calor
— esse calor que arde como saudade de algo que ainda não vivemos —
saberás.
Que eu estou aqui.
No outro lado do fio.
Esperando.
Não com pressa,
mas com fé.
Porque o akai ito pode esticar por anos,
pode cruzar oceanos,
mas ele sempre, sempre,
nos leva de volta
um pro outro.
Se o destino for mesmo um fio,
eu não quero cortá-lo.
Quero seguir onde ele levar —
nem que seja até teu riso,
até tua calma,
até o instante em que tu me olha
e eu entendo, sem dúvida alguma:
era aqui.
E é.
Dizem que há um fio invisível
ligando os que estão destinados a se encontrar.
Que ele pode esticar,
enrolar,
até parecer perdido.
Mas nunca se parte.
E eu penso:
talvez o nosso seja feito de palavras e olhares.
De animais dormindo enroladinhos,
e cores trocadas sem intenção.
Um fio que passa por cartas não enviadas,
por sorrisos contidos,
por confissões em forma de arte.
Se esse fio existe —
eu não quero saber onde termina.
Quero apenas seguir segurando.
Mesmo de longe,
mesmo no silêncio,
mesmo que leve uma vida inteira pra saber o nome disso tudo.
Mas no fundo,
eu já sei:
é amor.
Desse que não precisa se apressar.
Desse que só cresce,
mesmo quando tudo parece calmo na superfície.
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Palavras ditas!
PuisiAaah, as palavras... com ela expressamos o que há no mais profundo do nosso ser...
