Maré que ama em silêncio

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Meus olhos não dizem, mas meu peito canta.
Ele chegou como quem não sabe que é farol,
iluminando sem pedir licença.
E eu, oceano por dentro,
fiz das minhas lágrimas maré
pra encontrar seu cais.

Ele me mostrou uma tela em branco.
Não pra impressionar,
mas pra convidar.
Ali, entre tintas e silêncios,
eu vi um gesto que dizia:
"confio em ti pra ver o que ainda não existe".

E como não amar quem revela a essência
antes da moldura?
Quem observa meus snaps como quem lê cartas?
Quem responde com ternura, mesmo sem rima?
Como não amar quem fica,
mesmo sem saber que está sendo amado?

Meu amor não grita.
Ele cresce em intervalos,
em pequenos gestos,
em respostas que parecem simples
mas carregam universos.

E se um dia ele disser:
"pinta comigo?",
meus versos vão sorrir.
E eu direi:
"escreve comigo".

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