Te vi dançar antes de saber teu nome.
Nos passos da tua alma, no jeito que olha o céu
como quem reconhece o infinito.
Nos snaps em silêncio,
onde até o mar parecia te ouvir.
E você me viu também —
na timidez dos olhos que não dizem,
mas guardam.
Na mão que acaricia Minks devagar,
como quem toca um segredo.
A vida é essa canção sem ensaio,
e mesmo sem ensaios,
você acertou meu ritmo.
Quando cantou à beira do sol nascente,
minha alma salvou teu som —
não no celular,
mas no lugar onde memória vira lar.
Você, jaguar de alma branca-de-neve,
que fala com passarinhos e montanhas da infância,
me perguntou se pode errar a dança.
E eu — mesmo sem dizer —
já estava aqui, de braços abertos,
esperando teu tropeço pra te segurar com o peito.
Entre o calor que te derrete
e o frio que te convida,
dançamos.
Mesmo distantes,
mesmo calados.
Dançamos nos símbolos.
Dançamos no tempo.
Porque há coisas que o corpo ainda não faz
mas a alma já ensaia há vidas.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Palavras ditas!
PoetryAaah, as palavras... com ela expressamos o que há no mais profundo do nosso ser...
