Sobre uma Orca, um cochilo e um quase amor

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Ele disse que gosta de como os animais se encolhem pra dormir.
Eu li: "eu entendo a doçura do repouso, a linguagem do afeto em silêncio."

Era só um comentário, talvez. Mas pra mim foi abrigo.
Porque antes disso, eu tinha mandado uma imagem da Orca —
minha cachorra que parece entender tudo sem dizer nada.

E ele viu.
E respondeu com o coração enroscado no meu, mesmo de longe.

Eu respondi com doçura, mas dentro de mim a resposta foi grito:
"me too. it's so sweet."*

Mas o que eu queria mesmo dizer era:
"isso me enche o coração de paz e amor.
como se você, sem saber, me dissesse que é seguro descansar aqui."

Como se o mundo inteiro coubesse num gesto.
Como se ele estivesse, aos pouquinhos, descobrindo onde me tocar sem pressa.
E estivesse gostando.

Hoje, quando você falou sobre o jeito que os animais dormem,
eu senti um nó doce na garganta.
Porque não era só sobre sono. Era sobre ternura.

E eu entendi — mais uma vez — que teu olhar é feito de afeto sem alarde.

Me peguei desejando ser como a Orca naquela foto:
pequena, tranquila, enrolada em paz.

E você... você olhando pra mim com essa calma que não julga,
com esse toque sutil que não precisa de palavras grandes.

Você não sabe, mas naquele instante,
meu coração dormiu encolhido perto do teu.

E sonhou.


*Eu também, é tão doce.

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