Ele chegou em silêncio,com os pés na terra e os olhos no céu,carregando o calor que não exige toque,mas aquece só por estar.Ela já estava lá,metade em sombra, metade em luz,com versos guardados nas mãose perguntas brilhando no peito.O Sol a viu —não de repente,mas como quem nota um detalhe que sempre esteve ali,só que agora pulsa diferente.A Lua sorriu —não com os lábios,mas com o coração,que se expandiu só por sentir a luz se aproximando.Eles se encontraram no mesmo céu,rosa alaranjado, entre despedida e chegada,entre o "tenha um bom dia"e o "ainda é ontem aqui".E foi nesse instante,em que o tempo fez curva e o céu virou poesia,que algo sussurrou:"Mesmo que caminhem por órbitas distintas,a beleza está no breve toque,na luz refletida,no olhar que entende sem pressa,no afeto que nasce onde o céu se tinge de rosa."E desde então,toda vez que o Sol e a Lua dividem o mesmo céu,o mundo respira mais devagar.Porque sabe que eles existem —em fusão delicada,mesmo à distância,mesmo em silêncio —em amor que não precisa de explicação.
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Palavras ditas!
PoetryAaah, as palavras... com ela expressamos o que há no mais profundo do nosso ser...
