Talvez nunca leia isso.
Ou talvez sim, em algum tempo onde as palavras não precisem mais se esconder.
Mas hoje, escrevo pra guardar.
Porque tem coisas que, se a gente não transforma em palavra, viram nó.
E eu queria que virassem laço.
Tu me mostraste uma tela em branco.
Com tintas dentro de uma sacola vermelha.
E naquele instante, sem saber, me convidaste a sonhar contigo.
Porque quem mostra o antes, o vazio, a origem — confia.
E eu senti isso.
Senti que tu me deixaste ver onde tudo começa.
E eu só queria te dizer:
obrigada por não pintar longe de mim.
Tu gostas dos bichinhos que se encolhem pra dormir.
E eu entendo.
Eles parecem proteger o coração com o próprio corpo.
Eu também me encolho quando sinto demais.
Mas quando vejo teus gestos, mesmo os pequenos,
sinto vontade de me abrir.
De sair do casulo e te dizer:
"Te vejo. E gosto do que vejo."
Confio em ti.
E talvez isso seja o início de um amor.
Ou talvez seja o próprio amor, quietinho,
esperando o momento certo de florescer.
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Palavras ditas!
PoesiaAaah, as palavras... com ela expressamos o que há no mais profundo do nosso ser...
