Navios

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Dos navios indo embora.
Da minha voz dizendo que talvez cruzassem o Atlântico.
Para a África. Para a Europa. Para algum lugar que não sei, mas que me fez pensar em você.

Era só um porto.
Só uma imagem.
Só o céu espelhado no mar.

Mas quando você o salvou,
entendi que o que compartilho com você
não é só visto.
É sentido.

Você não comentou.
Não disse nada de grande.
Mas guardou.
E foi aí que percebi:
você entende o que meu silêncio diz.

Porque aquele vídeo não era sobre navios.
Era sobre vontade.
Sobre atravessar distâncias.
Sobre imaginar você do outro lado do mundo
e mesmo assim sentir que há algo aqui,
presente, suave e verdadeiro.

Talvez você nunca diga com todas as letras.
Talvez precise do tempo das marés.
Mas quando você guarda um pedaço do meu mundo,
você já está nele.

E se um dia perguntar por que gosto tanto do mar,
vou te dizer que ele me lembra você:
intenso, profundo,
às vezes calado,
mas sempre cheio de caminhos possíveis

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