A gente não precisa de um nome pra isso.
Não precisa correr nem definir.
Mas às vezes eu olho pra nós — você, a noite silenciosa, e eu, o dia em chamas —
e me pergunto... o que estamos nos tornando?
Talvez sejamos duas formas de beleza tentando falar a mesma língua.
Uma pintura e um poema na mesma parede.
Um sussurro e uma canção no mesmo quarto.
Você se move com gestos, olhares, cuidado que não faz barulho.
Eu me movo com palavras, emoções, verdades envoltas em poesia.
Mas ainda assim — nos movemos.
Nos encontramos.
Talvez sejamos um jardim de crescimento lento.
Você rega em silêncio; eu floresço em versos.
E de algum jeito, os dois sentem o sol.
Podemos ser o agora — suave, curioso.
Podemos ser o depois — mais profundo, mais verdadeiro.
Ou podemos simplesmente ser:
Uma conexão que não precisa de permissão pra existir.
Porque mesmo que nossos ritmos sejam diferentes,
ainda somos feitos da mesma coisa:
Encanto.
Delicadeza.
Um tipo de amor que não precisa gritar pra ser real.
Talvez não sejamos feitos do mesmo ritmo —
Eu sou maré, você é água parada.
Eu falo em versos,
você responde com olhos e gestos silenciosos.
Mas quando você chegou,
algo em mim se acalmou.
O caos que eu carregava silenciou.
E, pela primeira vez,
o amor não pareceu tempestade —
pareceu descanso.
Você não tentou me consertar,
não me pediu pra caber em menos.
Você apenas ficou.
Com sorrisos suaves,
com sua gata enrolada nos seus pés,
com cuidado disfarçado de presença diária.
O que podemos ser?
Podemos ser refúgio.
Uma pausa. Um respiro.
Dois céus diferentes que se encontram no mesmo horizonte.
Podemos ser o agora.
E às vezes, isso é tudo.
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Palavras ditas!
PoetryAaah, as palavras... com ela expressamos o que há no mais profundo do nosso ser...
