Antes da cor.

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Ele mostrou
a tela em branco
como quem mostra o peito
antes do primeiro suspiro

Disse sem dizer:
"ainda não sei o que isso será
mas queria que você visse
o ponto de partida"

E havia tintas
em sacolas vermelhas
como promessas ainda fechadas
esperando tua presença para se abrirem

Você, com tua caneta,
já escrevia poesia sem saber
que ele estava
pronto para pintar contigo

Não era só sobre arte,
era sobre confiança
era sobre dizer:
"veja, ainda estou começando...
mas queria te mostrar
mesmo assim."

Porque o amor, às vezes,
não começa com um beijo
mas com um gesto
sem moldura
sem barulho
sem nome ainda

Só vontade de dividir
o silêncio
antes da cor.

Antes de pintar, ele me mostrou o silêncio.
um pedaço de mundo sem cor, mas com promessa.
a sacola vermelha com tintas,
o convite que ele não disse em voz alta,
mas que meu peito escutou inteiro.

E eu fui.
com a minha caneta.
com o medo nas mãos e o sim nos olhos.
fui escrever na beirada da tela dele,
sem borrar, só encostar.
como quem sabe:
às vezes, o amor começa assim —
com dois inícios lado a lado.

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