Se um dia tu quiser saber o que tu significas para mim,
lembra daquela vez em que disseste que gostava de ver os animais dormindo enroladinhos.
Tu falavas de conforto, de ternura...
mas eu ouvi mais:
ouvi teu desejo de abrigo.
E naquele instante, soube que estávamos falando a mesma língua —
a dos que buscam lar em gestos pequenos.
Se quiser entender o que tu desperta em mim,
pensa no meu sorriso bobo quando te falei dos pássaros do meu avô.
Eles cantam comigo, como se soubessem
que há algo dentro de mim que também é feito de canto.
E quando tu disseste "emanando sua princesa interior?"
eu ri, mas senti:
tu me viu.
Como quem reconhece encanto em vez de estranhamento.
Como quem acolhe.
Se quiser saber o quanto isso importa...
ouve o silêncio bom entre nós.
Aquele em que a gente não precisa provar nada,
só estar.
Tuas respostas nunca são pressa.
E mesmo quando curtas, carregam tempo.
Tempo de quem escuta com o peito,
não só com os ouvidos.
E se eu pudesse pintar tudo isso,
te convidaria:
"escreve comigo?"
E talvez tu dirias:
"pinta comigo?"
E nossos mundos — tinta e palavra,
cor e sentido — se encontrariam num mesmo quadro.
Cookie estaria no chão, sonhando.
Austin deitado com a cabeça nas patas.
Minks ronronaria aos teus pés.
E eu, com o coração transbordando de oceano,
entenderia que lar...
é onde há espaço para ser inteira.
E onde alguém fica — mesmo quando a maré sobe.
Então, se tu quiser saber o que significas para mim,
sabe agora:
és silêncio acolhedor,
és ponte sem urgência,
és afeto que se constrói como poema —
linha por linha, gesto por gesto.
E eu?
Sou só uma maré te dizendo:
sim para tudo.
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Palavras ditas!
PoesíaAaah, as palavras... com ela expressamos o que há no mais profundo do nosso ser...
