Eu queria que você soubesse
Que o silêncio que você deixou
Ecoou por muito tempo dentro de mim.
Não porque eu fosse fraca,
Mas porque eu sentia fundo demais
Pra fingir que não doía.
Enquanto você se afastava,
Eu ficava sentada à beira do mar,
Tentando entender
Por que amar parecia sempre
Um exercício de afogamento.
Eu me perguntava:
O que há de errado comigo?
Por que minhas emoções vêm como ondas
E não como poças rasas?
Hoje eu sei.
O problema nunca foi a intensidade.
Foi amar alguém
Que só sabia nadar em águas rasas.
Você não me perdeu no barulho.
Você me perdeu no silêncio.
No dia em que parou de responder,
O mar falou mais comigo
Do que você jamais falou.
E sabe o que eu aprendi?
Que quem me ama
Não me deixa boiando sozinha.
Quem me ama mergulha —
Mesmo com medo.
Hoje, quando o mar me observa,
Ele não me vê como naufrágio.
Ele me vê como sobrevivente.
Eu fui aquela criança
Que quase se perdeu nas águas,
Mas voltou.
Eu sempre volto.
E agora,
Eu não escrevo mais pra te alcançar.
Escrevo pra soltar.
Porque algumas histórias
Não foram feitas pra ter continuação —
Foram feitas pra ensinar o ponto final.
E eu sigo.
Como o mar à noite:
Profundo, escuro às vezes,
Mas sempre em movimento.
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Palavras ditas!
PoetryAaah, as palavras... com ela expressamos o que há no mais profundo do nosso ser...
