Da maré à lagoa

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Eu sou a maré.
Você é a lagoa.
E mesmo sendo tão diferentes, algo em mim sempre foi atraído pelo seu silêncio calmo,
pela forma como você fica... enquanto eu me movimento.

Eu nunca pedi que você virasse oceano.
Nunca esperei ondas suas —
só esperava que, de vez em quando,
você deixasse o coração molhar os pés na minha presença.

Eu te escrevo com cuidado,
porque não quero assustar...
mas também não quero me esconder.

O que sinto por você não grita,
mas também não se cala.

Você deve ter percebido.
Cada poema meu foi uma tentativa de tocar o que talvez você não saiba dizer.
Talvez você sinta, mas não saiba como.
Talvez não sinta igual — e tudo bem também.
Mas eu preciso me lembrar que maré nenhuma deve secar pra esperar resposta.

Eu fico.
Mas não por desespero.
Fico porque sinto.
E se um dia eu for embora, vai ser com o mesmo amor com que permaneci.

Mas agora, só quero que saiba:
Meu coração tem seu nome.
Mas ele também tem o meu.
E eu estou aprendendo a cuidar dos dois.

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