Meu bem.

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Meu bem,

tanta coisa eu poderia escrever com flor,
com dor,
com silêncio.

Mas hoje escrevo com clareza.
Daquela que vem depois de observar os detalhes,
os gestos,
as entrelinhas.

Tu me olha como quem sabe que eu existo.
Não só por fora —
mas por dentro,
nos pequenos cantos onde quase ninguém vai.

Tu vê beleza na forma como os animais dormem enroladinhos.
Tu escuta minha voz cantar pros passarinhos.
Tu reage com doçura quando digo que me sinto a Branca de Neve.
Tu não foge quando transbordo,
e nem tenta secar o que nasce em maré.

Teu jeito de estar é sutil, mas firme.
E nisso tudo, meu amor,
tem algo raro.

Talvez ainda não tenha nome.
Mas tem presença.
Tem gentileza.
Tem esse "sim" que tu me dá em fragmentos.

E se isso for amor,
que seja.

E se ainda não for —
eu espero.
Porque a conexão que floresce devagar
é a que cria raízes mais fundas.

Assinado,
tua maré.
(que diz sim para tudo — inclusive para ti).

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