Setenta e seis

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Kurama

As últimas horas foram as piores da minha vida, pela primeira vez na minha vida eu estou com as mãos atadas, eu não tenho o controle da porra da situação, eu não tenho o controle de nada, e a minha vida agora está numa sala ao qual eu não sei dizer se a mesma vai sair viva ou não, eu só sei de uma coisa, se a minha mulher morrer, eu morro junto com ela, eu não vou sobreviver nessa porra não.
— Como é que tu tá mano. - o Hidan chega do meu lado e se senta, faz horas que eu tô largado em frente à porta da sala no qual a minha mulher está, depois disso nenhum funcionário ou paciente daqui teve coragem de se aproximar, mas acontece que nesse momento em que me encontro, não há nem necessidade de ter medo de mim, pois eu tô mais vulnerável do que eu nunca estive na minha vida. Eu tô sem força, e completamente sem chão.
— Porra Naruto, reage pow. Tu é o chefe, tu é o Kurama, a força que motiva essa favela, o exemplo que todo os cria teve desde fiote pow. - o Hidan insiste e eu dou de ombros.
— Sem a Hinata eu não sou nada, eu já tô é arrependido de ter enterrado a arma que era do meu pai, pois... - antes de eu terminar a frase a Itana me interrompe.
— Tu não é doido de terminar essa frase, pois a Hina quando soube de certeza pelo o jornal, que tu tinha morrido, caiu no maior desespero e ficou arrasada, porém, ela se manteve firme pelos meninos, ela disse que ia ser forte, por eles pois era o que você ia querer, que ia criar teus herdeiros e ia falar pra eles que o pai deles era um herói. - foi só a Itana terminar de falar isso e novamente eu caí no choro, pois o remorço cresceu grande pra cima de mim, eu falei um monte de bobagens pra ela, tava cheio de droga, eu sou um monstro, eu não mereço ela não, eu falei um monte de besteira, eu quem deveria morrer, eu quem deveria estar naquela cama, e não ela, eu quem deveria morrer.
Fico ali pensando olhando pra o nada, até que escuto as doutora me chamar.
— O parto foi realizado com sucesso! Mesmo sendo prematuros os bebês estão bem! Eles vão ficar um tempo na incubadora, mas estamos todos confiantes que eles irão sobreviver. - a mulher do Sai diz.
— E a mãe deles! - pergunto apreensivo.
— Ela fez uma escolha! E o desejo dela foi atendido! - a outra mulher diz e a minha vontade ali e de arrancar ossos por osso que ela tem, e a mesma percebe isso com o olhar que eu lanço pra ela.
— Tu tá falando que a minha mulher morreu? - pergunto já preparado pra mandar ela pro inferno. — Pois se ela tiver morrido, tu morre também sua cachorra.
— Senhor eu apenas atendi o pedido dela. Ela queria salvar os bebês. - ela diz e ali meu mundo novamente começa a cair.
Não caralho a minha mulher não pode morrer.
— Mesmo assim fizemos de tudo para salvá-la. - a Ino diz. — Mas ela perdeu muito sangue, e tivemos que fazer uma transfusão imediata, o sangue dela é muito raro, porém, nós temos muitas bolsas dele aqui no postinho reservado em um banco de sangue apenas com o nome dela, ou seja, é tudo pra ela. - ela diz e eu concordo com a cabeça, eu venho sempre encher as bolsas com meu sangue e mando guardar pra ela, ela já doou pra mim e eu faço o mesmo pela a minha princesas.
— Então nos a colocamos em coma induzido. - a Ino acrescenta. — Porém não sabemos como ela reagirá! Ela ainda corre um alto risco de vida. Senhor Kurama, eu fiz de tudo pela minha amiga. - me diz seria e eu acredito, pois sei que se fosse por essa outra louca a minha mulher não teria tanta atenção assim.
— Eu estou indo pra capela pedir pela recuperação da minha amiga! - a Sakura nos avisa.
— Vou com você! - a mulher do Shika diz se levantando da cadeira.
— Eu também! - Karin e Itana também se levantam.
— Assim que puder me juntarei a vocês! - a mulher do Sai diz para as amigas e as mesmas saem e eu fico ali analisando a situação, essa espera me mata por dentro. — Senhor Kurama, você quer ver seus filhos?
— Já posso? - pergunto.
— Só pelo vídro do lado de fora! Eu não sei se agora é um bom momento, mas novamente eu irei lhe parabenizar por esse postinho, que na verdade é uma verdadeira unidade com estrutura de hospital particular, até uma sala de incubação tem aqui. - a mina diz e eu dou de ombros.
— Os moleques da comunidade as vezes nasce assim, de poucos meses, e por isso eu mandei instalar uma porra dessa aqui no postinho. - eu digo e logo depois a mina me leva até uma sala que tem uma enorme janela de vidro, dentro da sala tem várias incubadoras , e no meio dela eu vejo duas incubadora com dois filhotinho bem pequeninos, e eu fico bobo olhando pra eles, eu tenho certeza que eles cabe na palma da minha mão.
Mesmo tão pequenos eu reconheço alguns traços, tipo as covinhas em suas bochechas, eu sei que eles são meus filhos! Os moleques nem quiseram parecer com a mãe, são  que nem o pai. Eles são lindos, fruto do meu amor com a minha princesa.
E eu já amo eles demais porra. Meus dois herdeiros tão ali lutando pela vida deles, porém, eu já sei que esses moleques vão sobreviver, pois eles são meus filhotes porra, eles são dois moleques fortes que nem o pai.
— São tão pequenos! - eu digo com os olhos cheio d'água, eu tô que nem um boiola hoje, chorando pra caralho.
— Eles são lindo pow. Meus herdeiros, eu vou cuidar e proteger eles de tudo e de todos, porém, vai ser com a mãe deles que eu vou fazer isso. Me diz que a minha mulher vai viver doutora. - eu peço praticamente implorando pra ela, eu perdi a minha postura total, porém, eu não me importo, a única coisa que eu quero nesse momento é a minha mulher de volta.
— Senhor venha chamar a Hina de volta, muitos pacientes que já voltaram do coma dizem que escutam as pessoas da família, conversando com elas, vai lá chamar ela, pede pra ela lutar pela vida e voltar pra você. - ela diz e eu fico cheio de esperança.
— O senhor veste isso e coloca essas luvas e a máscara! Você vai poder entrar pra ver a Hina! - Visto imediatamente as roupas que a doutora me dá, e entro no quarto para ver a minha mulher.
Ela está toda mole, respirando pelos aparelhos, o rostinho todo machucado, e não tem mais o barrigão, mesmo assim ela continua linda.
Minha mulher é uma guerreira forte pra caralho.
— Como eu te amo Hinata! - eu digo e ali eu faço uma coisa que eu nunca fiz na vida, eu começo a rezar. — Oh Deus não me deixe ficar sem a minha mulher! Se tiver que levar alguém, tu me leva pois eu não presto pra nada, eu só vivo nesse mundo por causa dela, e se ela se for eu não vou saber viver, me leva no lugar dela, e deixa ela pra cuidar dos nossos filhos. - eu digo com toda a verdade que tem no meu coração.
— Kurama. Os quinzes minutos permitidos já se passaram! É pelo bem da Hina que o senhor se retire! - Depois de um tempo doutora volta e pede pra eu sair e eu deixo o quarto e vou para a sala de espera.

(....)

E assim passou uma semana e eu nunca desgrudei desse postinho, comprei um barraco aqui do lado só ia tomar banho e trocar de roupa, comer alguma coisa que a mulher do Sasuke fazia, a minha princesa é forte e logo ela começou a respirar sem os aparelhos, ela quer voltar logo pra nois, pra mim e pra os os nossos moleques. E é pensando nisso que eu me sento na poltrona ao lado da sua cama e espero ela acordar.
Eu posso ficar até mesmo dez, vinte, cinquenta anos, até o último dia da minha vida, que eu não irei me cansar nunca de esperar por a minha mina.

(....)

Hinata

Abro meus olhos devagar, não sei dizer quanto tempo fiquei dormindo, também não sei onde estou, e nem o que rolou, eu pisco várias vezes por causa da luz, e me dou conta de que estou em uma sala branca, acho que eu tô no postinho, o Naruto está do meu lado sorrindo,
Ele se aproxima do meu lado e vejo as lágrimas escorrendo dos seus olhos.

— Princesa! Tu voltou pra mim porra.

Em dívida - Naruhina Onde histórias criam vida. Descubra agora