A fumaça da fogueira ainda pairava no ar quando Bowie acordou com o som de galhos quebrando.
Não foi um sonho.
Ele sentou-se rápido, os olhos treinados farejando perigo como um cão de caça. Daphne também acordou num salto, o casaco caindo de seus ombros.
— Isso foi o vento, certo? — sussurrou ela.
— Se o vento estiver usando botas militares tamanho 44, sim.
Mais um estalo, mais próximo. Bowie agarrou a mochila com uma mão e estendeu a outra para Daphne.
— Hora da mágica. Vem comigo.
Eles correram mata adentro. Daphne tropeçou, mas foi puxada por Bowie antes de cair. Ele parecia conhecer cada árvore, cada curva, como se tivesse decorado o cenário para uma fuga ensaiada. Provavelmente tinha mesmo.
— Quantos acha que são? — perguntou ela, ofegante.
— Mínimo três. Máximo... bom, espero que não seja um batalhão.
Ela engoliu seco.
— Você tem algum plano?
— Sempre. E todos são péssimos.
Eles chegaram a uma clareira. Bowie parou, tirou da mochila uma granada de fumaça — um presente de Copérnico — e um pequeno espelho redondo.
— Certo, Daphne. Hora de confiar de novo. Lembra daquele papo de "homem de capuz"? Vamos dar a eles um show.
— Isso é uma granada?
— É um coelho que explode fumaça. Foca no drama, vai.
Ele puxou o pino e lançou a granada. Uma nuvem branca se ergueu como uma cortina de teatro. Em segundos, os dois desapareceram na névoa espessa. Quando os soldados chegaram, não havia sinal deles.
Mas havia uma música.
Um pequeno rádio no chão tocava "Ode to Joy" em versão techno, com o volume no máximo.
— Aqui! — gritou um dos homens, apontando o som.
Eles se aproximaram com armas em punho. O rádio estava amarrado a uma árvore com uma corda vermelha — e então...
Ploft!
Um balão de tinta vermelha explodiu sobre eles, cobrindo dois soldados como se tivessem sido ejetados de um filme de Tarantino.
— Que diabos é isso?! — gritou um, furioso.
Enquanto limpavam os rostos, uma voz surgiu entre os arbustos:
— Me desculpem, senhores... é que essa era a parte do show que envolvia tomates, mas com os cortes no orçamento, precisei improvisar.
Um dos soldados virou-se a tempo de ver um chapéu preto desaparecer floresta adentro.
Mr. Bowie.
Eles correram, mas já estavam atrasados. Ele e Daphne tinham disparado numa direção oposta. Depois de vinte minutos correndo, pararam para respirar atrás de uma formação rochosa.
— Isso foi... — Daphne ofegava, as mãos nos joelhos.
— Genial? Impressionante? Inacreditavelmente sexy? — completou Bowie.
— ...idiota. Mas funcionou.
— É o lema da minha vida, senhorita.
O som de um helicóptero sobrevoando a área cortou o clima. Bowie olhou para o céu e franziu o cenho.
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Mr. Bowie
ActionMr. Bowie é um golpista carismático, mestre da ilusão e envolvido nos mais ousados roubos dos últimos anos. Suas habilidades espetaculares em mágica e ilusionismo chamam a atenção do serviço secreto, e o caso passa a ser conduzido pelo implacável Ag...
