Aquela madrugada parecia carregada com o peso de tudo que ainda estava por vir. O céu, sem estrelas, refletia a incerteza e o medo que pesavam sobre Bowie, Daphne, Valeska, Marcus e Kevin. Eles tinham acabado de destruir o laboratório do projeto Fantasma 2.0, um feito heróico e perigoso. Mas, no silêncio dos seus pensamentos, sabiam que aquela vitória era apenas um breve suspiro antes da tempestade que se avizinhava.
Sentados em torno de uma mesa improvisada no mesmo prédio labiríntico que agora chamavam de base, o grupo começava a lidar não apenas com as consequências físicas da missão, mas com as cicatrizes invisíveis que aquela vida os deixava.
Daphne apoiava o rosto nas mãos, olhos vidrados no vazio.
— Como você consegue fazer isso? — ela perguntou, finalmente rompendo o silêncio pesado. — Como você lida com tudo? A pressão, o medo, a perda?
Bowie olhou para ela, sua expressão se suavizando pela primeira vez em horas. Havia um cansaço que ia além do físico; era um cansaço da alma.
— Sabe quando a gente faz mágica? Não é só o truque. É o silêncio antes do aplauso. Eu aprendi a gostar daquele silêncio — disse ele, com voz rouca. — Porque é nele que a gente se prepara. Que a gente respira. Que a gente decide: eu vou continuar ou vou desistir.
— Mas e se... — Daphne hesitou — e se a gente não conseguir continuar? Se essa luta for maior do que a gente?
O olhar de Bowie ficou sombrio, mas não perdeu a chama.
— A gente vai ter que continuar. Porque desistir não é opção. Não para quem já perdeu tudo.
Marcus, que até então ficara em silêncio, respirou fundo e encarou o grupo.
— Vocês sabem que essa luta não é só contra eles. É contra o que eles representam — disse ele, a voz cheia de gravidade. — O controle, a manipulação, a desumanização. Eu vi de perto o que acontece com quem vira peça nesse jogo. Pessoas transformadas em sombras do que já foram.
— Então, o que você sugere? — perguntou Valeska, com o cenho franzido.
— Precisamos expor tudo. Cada detalhe, cada mentira, cada segredo enterrado. Se não fizermos isso, estaremos condenando o mundo a uma prisão invisível.
Bowie deixou a cabeça cair para trás, fechando os olhos por um momento.
— Expor a verdade... sempre parece a solução mais simples, até a gente lembrar que o silêncio é o melhor aliado deles. — Ele abriu os olhos com um brilho irônico. — Mas eu não tenho medo do escuro. Medo é para os que já desistiram da luz.
Daphne sorriu, mesmo com o peso que sentia no peito.
— Então, o que fazemos?
A resposta veio numa voz firme e decidida.
— Precisamos ir para a raiz. O esconderijo do Brandt. O coração do sistema. Se destruirmos aquilo, talvez tenhamos uma chance de virar o jogo.
Os dias que se seguiram foram uma corrida contra o tempo. O grupo reuniu recursos, planejou estratégias e, sobretudo, tentou se preparar para o que parecia uma missão suicida.
Kevin manteve seu humor seco como um deserto, mas até ele escondia um nervosismo crescente.
Valeska vasculhava informações antigas, cruzando dados e tentando encontrar qualquer brecha na fortaleza que era o quartel-general de Elias Brandt.
Daphne, cada vez mais determinada, treinava incansavelmente, aprendendo a usar as armas e técnicas que antes lhe eram estranhas.
Bowie, por sua vez, aperfeiçoava suas ilusões e truques, sabendo que sua habilidade de enganar olhos e corações poderia ser a diferença entre a vida e a morte.
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Mr. Bowie
ActionMr. Bowie é um golpista carismático, mestre da ilusão e envolvido nos mais ousados roubos dos últimos anos. Suas habilidades espetaculares em mágica e ilusionismo chamam a atenção do serviço secreto, e o caso passa a ser conduzido pelo implacável Ag...
