Capítulo 38 - Ecos do Passado e o Preço da Verdade (continuação)

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— Bowie, precisamos sair daqui — Daphne sussurrou, a voz embargada pelo medo e pela adrenalina. — Eles vão nos cercar em minutos.

— Eu sei. — ele respondeu, os olhos percorrendo rapidamente o ambiente. — Mas antes disso, você precisa ouvir tudo. Sem cortes.

Valeska engatilhou a arma, cobrindo a entrada, enquanto Bowie tirava do bolso um pequeno dispositivo que parecia um controle remoto.

— Isso aqui... — ele explicou, segurando o aparelho com firmeza — é a nossa última carta. Se a coisa ficar feia, ele vai derrubar toda essa instalação. Ninguém entra, ninguém sai.

— E se usarmos? — perguntou Daphne, apreensiva.

— A gente some com o problema, mas talvez também com a solução — respondeu Bowie, com a voz baixa, quase um lamento.

Foi então que o oficial que invadira o local deu um passo à frente, a expressão endurecida.

— Achei que vocês fossem mais espertos — disse, com desprezo. — Se renderam tão rápido?

Valeska sorriu, fria.

— Não vamos nos render. Nem agora, nem nunca.

— Então vão morrer. — o oficial anunciou, levantando a arma.

Antes que o disparo ecoasse, Bowie apertou o botão do dispositivo.

Um som estridente tomou conta do lugar — alarmes, sirenes, sistemas entrando em colapso.

Luzes vermelhas piscavam freneticamente, painéis eletrônicos queimando um a um.

— É agora! — Bowie gritou.

Eles correram, em meio a explosões e fumaça. Daphne sentiu a mão de Bowie firme na sua, puxando-a pela passagem estreita, enquanto tiros zuniam ao redor.

O som das paredes rachando, o cheiro de queimado, a sensação de que tudo podia ruir a qualquer momento tornavam a fuga uma dança mortal.

— Bowie... — Daphne conseguiu dizer entre o caos — me conte tudo. A verdade. Agora.

Ele olhou para ela, o suor escorrendo pelo rosto, olhos brilhando com uma intensidade quase desesperada.

— Você não é apenas a filha daquele homem. Você é a herdeira de algo muito maior. Algo que eles temem porque pode acabar com o controle deles.

— O que exatamente?

— Uma informação, um segredo guardado na sua própria mente. Por isso tentaram apagar sua memória, por isso te caçaram. Porque você é a chave para acabar com tudo isso.

Eles saíram da base em colapso, o chão tremendo sob seus pés, enquanto a fumaça cobria o céu, tingindo tudo de cinza.

— A gente vai precisar de aliados — Bowie continuou, puxando Daphne para trás de uma rocha — gente que sabe o que está em jogo e quer lutar.

— Eu confio em você. — Daphne respondeu, ofegante, encarando-o com um olhar carregado de emoção e esperança.

— Não é só isso que você vai precisar confiar. — Bowie falou baixo, aproximando-se lentamente.

Seus olhos se encontraram, um fogo silencioso que queimava mais que qualquer explosão.

Por um instante, o mundo parou.

E naquele instante, entre a desolação e o caos, Bowie se inclinou para ela, seus lábios tocando os dela com uma urgência que fazia o ar faltar.

Foi um beijo carregado de tudo que não podia ser dito em palavras — medo, desejo, revolta, esperança.

As mãos dele exploravam cada centímetro de pele exposta, como se quisessem memorizar cada fragmento antes que o mundo desmoronasse.

Daphne respondeu com a mesma intensidade, deixando que o calor do momento apagasse o frio da realidade lá fora.

Cada toque, cada suspiro, era uma explosão silenciosa, uma luta própria que se travava longe dos tiros e da destruição.

Quando finalmente se afastaram, ofegantes, Bowie sussurrou:

— Prometo que vou proteger você. Não importa o que venha.

Ela sorriu, com lágrimas nos olhos.

— Eu não sou mais aquela garota perdida. Agora, eu sou seu maior trunfo.

O som de passos pesados se aproximava.

Eles tinham que se mover — o jogo havia mudado, mas a verdadeira batalha estava só começando.

Mr. BowieOnde histórias criam vida. Descubra agora