— Bowie, precisamos sair daqui — Daphne sussurrou, a voz embargada pelo medo e pela adrenalina. — Eles vão nos cercar em minutos.
— Eu sei. — ele respondeu, os olhos percorrendo rapidamente o ambiente. — Mas antes disso, você precisa ouvir tudo. Sem cortes.
Valeska engatilhou a arma, cobrindo a entrada, enquanto Bowie tirava do bolso um pequeno dispositivo que parecia um controle remoto.
— Isso aqui... — ele explicou, segurando o aparelho com firmeza — é a nossa última carta. Se a coisa ficar feia, ele vai derrubar toda essa instalação. Ninguém entra, ninguém sai.
— E se usarmos? — perguntou Daphne, apreensiva.
— A gente some com o problema, mas talvez também com a solução — respondeu Bowie, com a voz baixa, quase um lamento.
Foi então que o oficial que invadira o local deu um passo à frente, a expressão endurecida.
— Achei que vocês fossem mais espertos — disse, com desprezo. — Se renderam tão rápido?
Valeska sorriu, fria.
— Não vamos nos render. Nem agora, nem nunca.
— Então vão morrer. — o oficial anunciou, levantando a arma.
Antes que o disparo ecoasse, Bowie apertou o botão do dispositivo.
Um som estridente tomou conta do lugar — alarmes, sirenes, sistemas entrando em colapso.
Luzes vermelhas piscavam freneticamente, painéis eletrônicos queimando um a um.
— É agora! — Bowie gritou.
Eles correram, em meio a explosões e fumaça. Daphne sentiu a mão de Bowie firme na sua, puxando-a pela passagem estreita, enquanto tiros zuniam ao redor.
O som das paredes rachando, o cheiro de queimado, a sensação de que tudo podia ruir a qualquer momento tornavam a fuga uma dança mortal.
— Bowie... — Daphne conseguiu dizer entre o caos — me conte tudo. A verdade. Agora.
Ele olhou para ela, o suor escorrendo pelo rosto, olhos brilhando com uma intensidade quase desesperada.
— Você não é apenas a filha daquele homem. Você é a herdeira de algo muito maior. Algo que eles temem porque pode acabar com o controle deles.
— O que exatamente?
— Uma informação, um segredo guardado na sua própria mente. Por isso tentaram apagar sua memória, por isso te caçaram. Porque você é a chave para acabar com tudo isso.
Eles saíram da base em colapso, o chão tremendo sob seus pés, enquanto a fumaça cobria o céu, tingindo tudo de cinza.
— A gente vai precisar de aliados — Bowie continuou, puxando Daphne para trás de uma rocha — gente que sabe o que está em jogo e quer lutar.
— Eu confio em você. — Daphne respondeu, ofegante, encarando-o com um olhar carregado de emoção e esperança.
— Não é só isso que você vai precisar confiar. — Bowie falou baixo, aproximando-se lentamente.
Seus olhos se encontraram, um fogo silencioso que queimava mais que qualquer explosão.
Por um instante, o mundo parou.
E naquele instante, entre a desolação e o caos, Bowie se inclinou para ela, seus lábios tocando os dela com uma urgência que fazia o ar faltar.
Foi um beijo carregado de tudo que não podia ser dito em palavras — medo, desejo, revolta, esperança.
As mãos dele exploravam cada centímetro de pele exposta, como se quisessem memorizar cada fragmento antes que o mundo desmoronasse.
Daphne respondeu com a mesma intensidade, deixando que o calor do momento apagasse o frio da realidade lá fora.
Cada toque, cada suspiro, era uma explosão silenciosa, uma luta própria que se travava longe dos tiros e da destruição.
Quando finalmente se afastaram, ofegantes, Bowie sussurrou:
— Prometo que vou proteger você. Não importa o que venha.
Ela sorriu, com lágrimas nos olhos.
— Eu não sou mais aquela garota perdida. Agora, eu sou seu maior trunfo.
O som de passos pesados se aproximava.
Eles tinham que se mover — o jogo havia mudado, mas a verdadeira batalha estava só começando.
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Mr. Bowie
AcciónMr. Bowie é um golpista carismático, mestre da ilusão e envolvido nos mais ousados roubos dos últimos anos. Suas habilidades espetaculares em mágica e ilusionismo chamam a atenção do serviço secreto, e o caso passa a ser conduzido pelo implacável Ag...
