O ar estava pesado dentro do armazém abandonado, iluminado apenas por uma fileira de lâmpadas penduradas, piscando como se hesitassem em revelar o que ali acontecia. Bowie apertou o coldre de sua pistola, sentindo o peso do momento. Ao seu lado, Daphne observava as sombras dançarem, pronta para qualquer coisa.
— Pronto para mais um show, diva da sobrevivência? — perguntou Bowie, um sorriso torto se formando.
— Só se for para escapar dessa confusão com estilo — respondeu ela, mirando o corredor que levava à saída.
Eles não tinham muito tempo. Os passos firmes dos soldados já se aproximavam, ecoando como um prelúdio sombrio. Bowie tirou do bolso seu baralho, cartas surradas mas afiadas, verdadeiras armas de ilusão.
— Vamos dar um espetáculo que eles não vão esquecer — sussurrou, embaralhando as cartas com destreza.
No momento em que os soldados invadiram o armazém, Bowie jogou uma carta no ar — que explodiu em um brilho ofuscante, confundindo os inimigos.
A fumaça se espalhou, e no meio do caos, Bowie desapareceu, reaparecendo atrás de um dos soldados. Com um movimento rápido, ele puxou uma faca oculta da manga e a cravou na lateral da coxa do inimigo, que caiu com um grito.
Daphne não ficou para trás. Ela usou um pedaço de cano enferrujado para desarmar outro soldado, acertando-o com força na cabeça. A luta virou uma dança brutal e precisa, cada movimento medido entre a sobrevivência e o improviso.
— Preciso de uma distração — gritou Bowie, entre golpes e esquivas.
Ela jogou o cano no chão, fazendo barulho suficiente para atrair dois soldados para o lado errado.
Bowie sorriu, retirou do bolso um pequeno cilindro e acionou — liberando um gás denso e colorido que causou tosse e confusão nos soldados próximos.
— Mágica não é só ilusão. É sobrevivência — disse Bowie, puxando Daphne para a saída lateral.
Mas eles não estavam sozinhos. O líder inimigo, um homem com cicatrizes que narravam batalhas passadas, bloqueou o caminho.
— Achavam que eu deixaria vocês escaparem tão fácil? — rosnou, sacando uma faca.
Bowie encarou-o, tirando a cartola da cabeça num gesto teatral.
— Um truque só para você — disse, puxando de dentro da cartola uma pequena esfera metálica.
Ele girou a esfera entre os dedos, e com um movimento rápido, lançou-a contra o chão. A esfera explodiu em faíscas elétricas, desarmando o inimigo por um instante.
Aproveitando a brecha, Daphne o derrubou com um chute certeiro.
— Agora, antes que venham reforços — disse Bowie, — vamos desaparecer.
Eles correram pelo labirinto de caixas e sombras, até uma passagem secreta que Bowie havia descoberto em sua última visita.
No túnel estreito, o som de passos ecoava atrás deles, mas a saída estava próxima.
— Você nunca deixa a mágica acabar, não é? — perguntou Daphne, ofegante.
— A mágica nunca acaba. Só muda de palco — respondeu Bowie, puxando a mochila.
Quando chegaram à superfície, o mundo parecia silencioso demais para o que tinham acabado de enfrentar.
— Vamos precisar de um plano B — disse Daphne, olhando para o horizonte.
Bowie sorriu, embaralhando as cartas novamente.
— Já estou pensando no truque final.
O ar frio da noite batia no rosto de Bowie enquanto ele e Daphne saíam do túnel estreito, a adrenalina ainda pulsando forte nas veias. Eles tinham escapado da emboscada, mas sabiam que o perigo não estava distante. As luzes das lanternas dos soldados mal apagados piscavam entre as árvores, e o som de vozes raivosas crescia.
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Mr. Bowie
AksiMr. Bowie é um golpista carismático, mestre da ilusão e envolvido nos mais ousados roubos dos últimos anos. Suas habilidades espetaculares em mágica e ilusionismo chamam a atenção do serviço secreto, e o caso passa a ser conduzido pelo implacável Ag...
