A escuridão parecia um manto pesado sobre o Ponto Cego. O silêncio era cortado apenas pelo ruído distante de passos ecoando pelos túneis — passos que sabiam exatamente onde estavam.
Bowie ficou ao lado de Daphne, o corpo tenso, pronto para o que viesse. Os olhos dela, brilhando sob a luz fraca, buscavam respostas não só no ambiente, mas nele.
— Eu sei que está pensando que talvez seja loucura demais — murmurou Bowie, sem tirar os olhos da entrada — Mas há uma coisa que aprendi: o medo é um velho inimigo que a gente precisa abraçar pra não perder o controle.
Ela virou o rosto, quase surpresa pela sinceridade dele.
— Você nunca me falou do seu medo.
— Medo, pra mim, é uma carta coringa que só se revela quando eu menos espero. Mas, quando aparece, é melhor eu saber jogar com ela.
Daphne respirou fundo, e por um instante o tempo pareceu desacelerar. O cheiro de mofo, o frio na pele, o perigo iminente — tudo ficou em segundo plano diante da conexão silenciosa que crescia entre eles.
Flashback — Queda e Ressurgimento
Era uma noite fria quando Bowie, ainda Arthur, viu o mundo desabar ao seu redor. Seu show clandestino fora descoberto, e a polícia política bateu à porta.
Ele se lembrou da sensação de impotência, da prisão sem explicações, das paredes que pareciam fechadas não só no espaço, mas no tempo.
Nas celas escuras, a magia que ele dominava virou apenas um eco distante, uma lembrança amarga.
Mas a verdadeira mágica aconteceu dentro dele — a capacidade de sobreviver, de reinventar-se, de tornar o impossível em plano de fuga.
Quando saiu dali, não era mais o garoto que tentou impressionar com cartas — era um homem marcado, astuto, pronto para transformar sua própria vida em truque de mestre.
O presente voltou em forma de uma voz sussurrada por Kevin, o infiltrado, que apareceu na entrada do galpão.
— Eles chegaram. Não vamos aguentar muito tempo.
Bowie se levantou, estalando os dedos como quem se prepara para um show.
— Então, que comece o espetáculo.
Daphne sorriu, o olhar determinado.
— Você vai me ensinar algum truque?
— Um truque de sobrevivência — respondeu ele — E de confiança. Porque, daqui pra frente, vamos precisar confiar um no outro como nunca antes.
O som dos passos se intensificava, se transformando em um rugido de vozes e comandos em linguagem codificada.
Eles se posicionaram, cada um em seu lugar, como peças de um jogo de xadrez onde cada movimento poderia ser o último.
O coração de Daphne batia forte, mas agora havia um fogo novo dentro dela — uma mistura de medo, raiva e uma faísca que ela não sabia explicar direito.
Bowie percebeu isso e, num gesto quase imperceptível, tocou a mão dela.
— Vamos sair vivos — prometeu.
Ela apertou a mão dele, um pacto silencioso.
Flashback — A Primeira Grande Fuga
Daphne se viu novamente nos corredores estreitos da prisão subterrânea, o cheiro de suor, medo e ferro oxidado misturados em cada passo.
Lembrou-se de Bowie na sua frente, fazendo piadas enquanto planejava uma fuga quase suicida.
Ela pensou que ele era louco, mas naquela loucura havia uma esperança que ela não conseguia negar.
O salto no rio, o esconderijo improvisado, a corrida contra o tempo — tudo parecia um sonho insano que, no final, salvou suas vidas.
Mas aquilo não era o fim — era só o começo de uma batalha muito maior.
De volta ao presente, o galpão tremia com as primeiras explosões externas — distrações criadas por Kevin e os outros para permitir que Bowie e Daphne fugissem.
Eles correram pelos corredores, com o som dos soldados cada vez mais perto.
A respiração de Daphne se misturava à adrenalina, e o toque de Bowie era sua âncora em meio ao caos.
Quando chegaram à saída, foram surpreendidos por um grupo de soldados bloqueando o caminho.
— Sem saída — murmurou Daphne, o olhar procurando desesperadamente uma saída alternativa.
Bowie sorriu, aquele sorriso de malícia e confiança.
— Sempre tem uma saída. Só depende de qual carta você tira da manga.
Ele puxou um dispositivo do bolso, um pequeno explosivo de fumaça que lançou ao chão, envolvendo-os em uma névoa densa.
— Agora é hora do truque final.
Eles aproveitaram a confusão, correram pela lateral do prédio, até uma escada que levava para o telhado.
Lá de cima, a vista da base em colapso era uma mistura de caos e beleza aterradora.
— Consegue chamar o Kevin? — perguntou Bowie, enquanto procurava no rádio.
A voz de Kevin respondeu, aflita:
— Estou quase lá. Segurem firme.
Daphne olhou para Bowie, e por um momento, o medo deu lugar a uma conexão profunda — a certeza de que, juntos, podiam enfrentar qualquer tempestade.
Enquanto o helicóptero se aproximava, Bowie fez uma promessa silenciosa para si mesmo: não deixaria que aquele fosse o fim.
Nem para ele, nem para Daphne.
Nem para eles.
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Mr. Bowie
AçãoMr. Bowie é um golpista carismático, mestre da ilusão e envolvido nos mais ousados roubos dos últimos anos. Suas habilidades espetaculares em mágica e ilusionismo chamam a atenção do serviço secreto, e o caso passa a ser conduzido pelo implacável Ag...
